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Revista Hosp online

Importância da cirurgia bariátrica na prevenção de novos pacientes com diabetes

Publicado em 17 novembro 2016

São Paulo, 07 novembro de 2016 – Já é sabido que o tratamento das doenças associadas à obesidade é substancialmente caro ao sistema de saúde. Mas a projeção do custo-efetividade em realizar a cirurgia bariátrica em pacientes elegíveis imediatamente, com espera de dois, quatro e sete anos é o foco do estudo econômico inédito “The waiting time for gastric bypass: how long should the healthcare system tolerate?”, realizado pela Johnson & Johnson Medical Devices em parceria com o médico especialista em cirurgia bariátrica Ricardo Cohen – Coordenador do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que teve como autores Alexandre Luque e Silvio Junqueira – Gerentes de Economia da Saúde e Acesso ao Mercado da Johnson & Johnson Medical Devices e o cirurgião.

 

Os dados mostram que 52,27% dos analisados desenvolveriam diabetes tipo 2 em um período de até 20 anos se não realizassem a cirurgia, ao passo que se o procedimento fosse realizado imediatamente, esse percentual cairia para 24,46%. Já se o paciente fosse operado após aguardar durante 7 anos, seu risco de diabetes tipo 2 aumentaria para 35,14%. Isso demonstra que a falta do tratamento adequado poderia acrescentar ao sistema de saúde brasileiro 1,83 milhão de pessoas com diabetes tipo 2, que se uniriam aos 12 milhões[1] de diabéticos atuais no país, estimados pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SDB).

 

“A cirurgia bariátrica imediata não somente evita as doenças associadas e seus custos, como leva à remissão e controle do diabetes tipo 2 já existente em muitos obesos, eliminando as medicações e garantindo melhor qualidade de vida[2]. De acordo com o estudo, a não realização da cirurgia bariátrica elevaria a porcentagem de diabéticos significativamente”, alerta Alexandre Luque, Gerente de Economia da Saúde e Acesso ao Mercado, da Johnson & Johnson Medical Devices.

 

O risco de morte também aumenta substancialmente pela falta do procedimento ao final de 20 anos, chegando a um risco adicional de 79% se a cirurgia não for realizada. A análise dos dados mostra que 27,57% dos pacientes que não forem submetidos à cirurgia bariátrica podem chegar à morte, enquanto que se a cirurgia for feita de forma imediata, o índice cai para 15,39%. Pegando como base os mesmos patamares de acesso à cirurgia do setor privado, se 9% dos elegíveis atendidos pelo SUS fossem submetidos à intervenção imediatamente, 40 mil vidas seriam salvas e 164,7 mil pacientes deixariam de desenvolver o diabetes tipo 2 nos próximos 20 anos.

 

Assim, os resultados indicam que a melhor relação custo-efetividade é a cirurgia imediata, comparada com qualquer outro tempo de espera, já que a obesidade é uma doença com dezenas de comorbidades crônicas que impactam na saúde e na expectativa de vida do paciente, além de gerar custos adicionais significativos ao sistema público de saúde.

 

“A espera pelo tratamento cirúrgico é catastrófica, mata mais pacientes, provoca mais eventos cardiovasculares, como o infarto, e aumenta o número de diabéticos no país; além de outros riscos associados à obesidade, como o câncer, que não fez parte da simulação”, ressalta o cirurgião geral Ricardo Cohen. “E como se não bastasse, a simulação observou que os pacientes que esperam para receber o tratamento cirúrgico vão viver menos e com pior qualidade de vida”, concluí o médico especialista em cirurgia bariátrica.

 

“The waiting time for gastric bypass: how long should the healthcare system tolerate?”

 

O trabalho foi baseado no Modelo de Markov de Microssimulação, no método em 90,7% das simulações, mesmo nos piores cenários, a dominância da cirurgia imediata prevaleceu. O método simula o que vai acontecer com os pacientes do sistema de saúde, em 20 anos, utilizando-se de dados do SUS.

 

Obesidade e cirurgias no Brasil

 

Dados da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), de 2014, revelam que no Brasil, 52,5% da população está com sobrepeso[3] e 17,9% obesa3. São elegíveis à cirurgia bariátrica pessoas com IMC (Índice de Massa Corpórea) entre 35 e 40, associado a comorbidades, ou com IMC superior a 40 com ou sem comorbidades. Segundo o DataSUS, em 2015 foram realizadas 7.5414 cirurgias bariátricas no sistema público e 88 mil[4] no sistema privado.

 

Segundo a OMS, um alto índice de IMC aumenta os riscos de doenças cardiovasculares, diabetes, desordens musculoesqueléticas (como artrite e degeneração das articulações) e determinados cânceres[5]. Além disso, o tratamento clínico das complicações do excesso de peso é custoso para o sistema de saúde: em 2011 o Brasil registrou despesas na ordem de US$ 269,6 milhões com o tratamento de doenças relacionadas à obesidade, segundo dados de um estudo do Ministério da Saúde[6] e o impacto das doenças relacionadas à obesidade sobre o PIB brasileiro chega a 2,4%[7], pois afeta não somente os gastos com tratamento, mas também a produtividade e os dias trabalhados.

 

Problema mundial

·         A obesidade é um problema mundial e um dos maiores desafios na área de saúde deste século, que resulta em forte impacto para os sistemas de saúde e economia

·         Segundo a OMS, 1,9 bilhão5 de adultos estão acima do peso ao redor do globo - o que representa 30%[8] da população mundial

·         O impacto econômico anual do tratamento de comorbidades relacionadas à obesidade é de cerca de US$ 2 trilhões[9] no mundo

·         No Brasil, a doença acomete mais da metade da população brasileira (52,5%)2

·         4,5 milhões3 de brasileiros são elegíveis para a cirurgia bariátrica para tratar a obesidade

·         Somente no SUS, 3,5 milhões3 de pacientes acima do peso ou obesos se beneficiariam com a cirurgia bariátrica

·         Dados do DataSUS demonstram que foram realizadas apenas 7.541 cirurgias4 no País em 2015, atendendo 0,21% dos pacientes elegíveis 4

 

 

[1] SBD 2015; http://www.endocrino.org.br/numeros-do-diabetes-no-brasil

2 STAMPEDE

3 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde. Vigitel Brasil 2014: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico/ Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde.

4 DataSUS 2015

5 WHO 2014 - http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs311/en

6 Revista Fapesp, O custo da obesidade http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/05/15/o-custo-da-obesidade/>

7 BBC Brasil (McKinsey Global Institute) - http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141120_obesidade_rp

8 Global Burden Disease, 2014  http://veja.abril.com.br/saude/quase-um-terco-da-populacao-mundial-esta-obesa-ou-acima-do-peso>

9 Dobbs R, Sawer C, Thompson F, et al. Overcoming obesity: An initial economic analysis. McKinsey Global Institute. http://www.mckinsey.com/industries/healthcare-systems-and-services/our-insights/how-the-world-could-better-fight-obesity 7 March 2012. Bays HE, Chapman RH, Grandy S. The relationship of body mass index to diabetes mellitus, hypertension and dyslipidaemia: comparison of data from two national surveys. Int J Clin Pract, May 2007, 61, 5, 737–747.

 

Sobre a Ethicon

Da criação das primeiras suturas até a revolução da cirurgia por meio de procedimentos minimamente invasivos, a Ethicon vem fazendo contribuições significativas para a medicina há quase 60 anos. Nossa dedicação contínua em “Moldar o futuro da cirurgia” está baseada em nosso compromisso de ajudar a solucionar os problemas de saúde mais urgentes no mundo, bem como melhorar e salvar mais vidas. Através das tecnologias e soluções cirúrgicas da Ethicon, incluindo suturas, grampeadores, dispositivos de energia, trocartes e hemostáticos, e nosso compromisso de tratar as condições médicas sérias como obesidade e câncer no mundo todo, entregamos inovação para proporcionar um impacto de mudança de vida.

 

Sobre a Johnson & Johnson Medical Devices

Contribuindo significativamente para a evolução das cirurgias por mais de um século, a Johnson &Johnson Medical Devices trabalha para alcançar cada vez mais pacientes e melhorar mais vidas. O grupo representa o mais completo negócio de tecnologia cirúrgica e soluções de especialidades no mundo, oferecendo uma amplitude de portfólio, serviços, programas e pesquisa e desenvolvimento sem precedentes, dirigidos ao avanço do cuidado com os pacientes e a entrega de valor clínico e econômico aos sistemas de saúde em todo o mundo.