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Informe MS

Impactos da crise na América Latina

Publicado em 27 março 2009

O Brasil será o principal mercado para os países latino-americanos dentro de pouco mais de uma década. A crise terá ainda grandes impactos no continente, mas não o atinge de maneira estrutural, como ocorre com os Estados Unidos. Naquele país, o colapso econômico é apenas uma expressão de uma crise social muito mais grave.

Essas são algumas das análises feitas pelos participantes do seminário Crise Econômica Mundial: Impactos na América Latina, na quarta-feira (25/3), em São Paulo. O evento, realizado pela Fundação Memorial da América Latina, integra a programação cultural e acadêmica que comemora os 20 anos da instituição.

De acordo com o embaixador Rubens Barbosa, atualmente consultor de negócios, a crise deverá aumentar a defasagem entre a economia do Brasil e dos outros países da região.

“Dentro de 10 a 15 anos, o Brasil – e não a Europa ou os Estados Unidos – deverá se tornar o principal mercado para os países latino-americanos. Por outro lado, nós teremos uma economia que irá extrapolar a região. O Mercosul, por exemplo, ficará pequeno demais para o Brasil. Para nós, as relações com os países desenvolvidos ficará mais importante”, disse à Agência Fapesp.

Segundo ele, o Mercosul, que já representou 15% do comércio nacional e hoje não chega a 9%, deverá ficar ainda mais esvaziado. “Com a complexidade do comércio internacional, a globalização e a sofisticação do comércio, a tendência é que os produtos dos países da região – a maioria tem apenas um ou dois – sejam absorvidos pelo Brasil, que é um mercado muito mais próximo, onde eles serão mais competitivos do que se forem exportar para o resto do mundo”, disse.

Mas por enquanto, para Barbosa, o continente sofrerá forte impacto da crise, que ainda deverá piorar muito. “A crise tem intensidade, abrangência e duração que não podemos prever. Mas podemos imaginar que a economia implicará crescimento zero. Cada ponto percentual de queda do PIB dos Estados Unidos equivale a uma redução de 0,25% no PIB da América Latina, em média”, disse.

Com a crise, afirmou o embaixador, as relações bilaterais sofrerão com um possível acirramento das disputas políticas e comerciais, com a queda do preço de commodities e com a alta do petróleo. “Os países da região vêm de um período de fundamentos macroeconômicos sólidos e de crescimento sustentável. Agora o continente está vulnerável, não só pelo fim do crescimento, mas pela taxa de juros alta”, afirmou.