Notícia

O Diário (Mogi das Cruzes)

Imagem foi apenas um fenômeno químico

Publicado em 13 julho 2003

Divulgado no dia 10 de setembro do ano passado, o relatório formulado pelo PhD em tecnologia de vidro, professor Edgar Dutra Zanotto, revela que não passa de um ataque químico, cientificamente explicável, a imagem de Nossa Senhora que surgiu na residência do demolidor Antônio José da Rosa, localizada no 330 da Rua Antônio Bernardino Corrêa, em Ferraz de Vasconcelos, pouco menos de dois meses antes. De acordo com o documento, defendido pela Cúria Diocesana de Mogi das Cruzes, o vidro onde surgiu a mancha em forma de "santa" teria entrado em contato com determinada substância aquosa e, por isso, iniciado um :esso químico conhecido io "intemperismo estáti- Eisner Soares MUDANÇA ¦ José da Rosa acostumou-se com o assédio co". Tal reação teria provocado o aparecimento do perfil da santa. "Aos poucos, a ciência desvenda os enigmas da natureza e, neste caso, ensina que a 'Nossa Senhora das Vidraças' não é um fenômeno do além. É apenas fruto do acaso; um belo exemplo proporcionado pela própria natureza - esta sim, perfeita, verdadeiro milagre!", diria o •professor na edição daquele mês da revista Fapesp. que publicou o estudo. A pesquisa explicou que o intemperismo estático ocorre quando o vidro é submetido a uma solução corrosiva não renovável. Gotas de água podem ter ficado presas nas frestas entre vidros planos empilhados e armazenados em locais sujeitos à umidade. O vidro reage com a umidade e com gases presentes na atmosfera resultando na formação de sais precipitados na superfície do vidro. De acordo com Rosa, a vidraça per- tencia a uma moradia do Bairro do Brás, da Capital, e > foi obtida após a demolição do imóvel. Zanotto afirma ainda que imagem já existia quando o vidro foi instalado, mas notada apenas recentemente. Já a "aura" multicolor que contorna a silhueta da "santa" pode ser explicado, conforme o professor, pela composição dos vidros, do tipo soda-cal-sílica, sujeitos a intempéries e que sofrem ataques químicos. O fenômeno é conhecido como iridescência. Antônio José da Rosa, entretanto, deixa de lado as explicações científicas e confirma mais uma vez a sua crença de intervenção divina no fenômeno. "Para mim esta aparição é uma benção", diz. (F.A.)