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Jornal Primeira Página

IFSC é um dos integrantes do Centro Mundial de Doença de Chagas

Publicado em 03 agosto 2008

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acaba de criar, no Brasil, um novo Centro de Referencia Mundial em Química Medicinal para Doença de Chagas, formado por grupos de excelência ligados à Universidade de São Paulo (USP) e São Carlos (SP) e à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O novo centro atuará diretamente na rede de laboratórios de descoberta de novos fármacos do Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR, na sigla em inglês), da OMS. Depois de uma competitiva seleção internacional, a organização escolheu o grupo brasileiro para formar o centro voltado especificamente para pesquisa sobre doença de Chagas.

O grupo é formado por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP – ligados ao Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural (CBME), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP – e do Laboratório de Química Orgânica Sintética da Unicamp.

De acordo com Adriano Andricopulo, coordenador do novo projeto e do Laboratório de Química Medicinal e Computacional (LQMC), a OMS lançou os editais para criar os centros depois de fazer longos ensaios e encontrar algumas moléculas de interesse para uma série de doenças tropicais.

O centro brasileiro, segundo ele, terá uma missão específica dentro da rede: descobrir candidatos a novos fármacos para doença de Chagas usando como referência duas dessas moléculas selecionadas pela OMS e mantidas sob sigilo local.

“Vamos usar essas duas moléculas como ponto de partida para sintetizar novas moléculas bioativas, realizar ensaios in vitro em cultura de Tryponossoma cruzi, ensaios in vivo de toxidez e, finalmente, ensaios in vivo em modelos experimentais da doença de Chagas”, disse Andricopulo à Agência Fapesp.

De acordo com o cientista, os compostos serão otimizados, aplicando-se técnicas avançadas de química medicinal, e os que forem mais promissores deverão entrar em fase clínica de desenvolvimento, depois de estabelecidos acordos com agências governamentais ou empresas farmacêuticas.

“Os recursos investidos neste projeto serão totalmente provenientes da OMS. Eles já permitiram a contratação de dois doutores com excelente experiência para trabalhar em regime de dedicação exclusiva”, disse Andricopulo. Segundo ele, o contrato é válido por um ano, renovável indefinidamente a partir da avaliação dos resultados.

Segundo Andricopulo, o projeto engloba todas as etapas essenciais de pesquisa básica que são requeridas para a descoberta de novo candidatos a fármaco. “O projeto é desafiador, completo e planejado nos moldes rigorosos de alta qualidade que levam o selo da OMS”, disse o pesquisador, que também é diretor da Divisão de Química Medicinal da Sociedade Brasileira de Química (SBQ).

No novo centro, Andricopulo é responsável pela área de Química Medicinal e Planejamento de Fármacos. O professor Luiz Carlos Dias, da Unicamp, se encarrega da área de Química Orgânica Sintética. Otávio Thiemann (IFSC) é o responsável por Biologia Molecular e Parasitologia, enquanto Glaucius Oliva (IFSC) é o responsável pela Biologia Estrutural e Planejamento de Fármacos.

“A OMS divulgou, em comunidade oficial, que o ponto forte da proposta brasileira foi a integração de grupos de excelência em suas respectivas áreas de atuação – que condizia perfeitamente com o objetivo dos novos centros de referência. Centenas de propostas de todo o mundo foram submetidas na fase inicial de avaliação e menos de 10% chegaram a etapa final de seleção”, disse Androcopulo.

Segundo o pesquisador, a iniciativa da OMS faz parte de uma estratégia para combater as doenças tropicais que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Os resultados das pesquisas do novo centro de brasileiro de excelência poderão contribuir decisivamente para a descoberta de um novo fármaco para a doença de Chagas.

“A descoberta da doença de Chagas foi feita em 1909 pelo brilhante cientista brasileiro Carlos Chagas. Vamos chegar ao centenário desta doença sem muito a comemorar, pois não há qualquer medicamento seguro e eficaz para o tratamento. A iniciativa é um esforço para avançar nesse sentido”, disse.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (16) 3373-9874.