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Idosos apresentam resposta menor as vacinas

Publicado em 10 março 2016

Por José Vilmore

Mais de 10% dos indivíduos que compõem a população brasileira atual têm idade superior a 60 anos. E, a exemplo do que já ocorre no Japão e nos países europeus, essa porcentagem deverá aumentar nas próximas décadas.

Estudos mostram que a resposta imune de defesa contra patógenos e tumores também se apresenta diminuída em idosos. Assim, uma porcentagem de indivíduos com mais de 60 anos não fica imunizada após a vacinação. Quanto maior a idade, maior o número de indivíduos que, apesar de vacinados contra influenza, são internados por infecções respiratórias associadas a patógenos.

Os idosos têm diminuídas suas taxas de proliferação celular e de produção de citocinas [moléculas envolvidas na comunicação entre as células durante o desencadeamento das respostas imunes]. Isso significa que o sistema imunológico desses indivíduos apresenta menor capacidade de responder aos antígenos [proteínas capazes de desencadear a resposta imune] presentes nas vacinas ou em novas infecções.

Quando alguém é vacinado, espera-se que as células circulantes do sistema imune sejam capazes de responder aos antígenos, porém nos idosos, esse mecanismo apresenta-se parcialmente modificado. Este processo, denominado de “imunosenescência”, caracteriza-se, na amostra, pela diminuição da porcentagem de células naives, capazes de reconhecer e responder a antígenos novos, e pelo aumento da porcentagem de células de memória que não são capazes de responder a patógenos diferentes daqueles contra os quais já se especializaram. Por isso, a resposta a vacinas, novas infecções e tumores torna-se menos eficaz.

Gênero também afeta a eficácia

Outro achado importante de um estudo conduzido no Brasil, foi que a tendência à imunosenescência é mais acentuada em homens do que em mulheres da mesma faixa etária. Os homens tendem a acumular mais células de memória e a apresentar maior redução de células naives, além de menor produção de citocinas. Segundo uma pesquisadora do estudo, esse achado sugere que, para indivíduos idosos, as terapias talvez tenham que ser utilizadas de forma diferente de acordo com o ‘gênero.

Para tentar contornar este problema, um procedimento testado em grupo controlado de idosos no Japão foi substituir a dose única anual de vacina contra influenza por duas ou três doses menores, escalonadas em intervalos de seis ou quatro meses. O parcelamento da vacina estimula o sistema imune várias vezes. E, aparentemente, isso tem um efeito melhor do que a ministração da dose inteira de uma vez só.

Uma colaboração entre uma equipe brasileira e uma equipe britânica está atualmente em curso, apoiada pela FAPESP mediante convênio com o British Council e o Newton Fund. Os times parceiros estão finalizando a redação de um livro, The Ageing Immune System and Health, previsto para ser publicado ainda em 2016 pela editora Springer, e organizando o workshop “Ageing and health: how to get there?”, agendado para 16 a 18 de março na Unifesp.

Fonte: Com informações de Fapesp