Notícia

O Estado do Paraná

Identificado gene do vaga-lume

Publicado em 11 dezembro 2005

São Paulo - Agência FAPESP

O espetáculo luminoso oferecido pelos vagalumes nas áreas de mata no Brasil ocorre por causa da luciferase, enzima fundamental para que o processo da bioluminescência possa ser visível — o composto luciferina é oxidado pelo oxigênio na presença do trifosfato de adenosina (ATP).
Como por trás de uma enzima sempre existe um gene, pesquisadores brasileiros resolveram identificá-lo. Com isso feito, foi possível desenvolver, por meio da engenharia genética, um mecanismo que usa a luminosidade do processo para fins práticos.
"Estamos desenvolvendo biossensores bacterianos vivos contendo o gene da luciferase clonada", resume Vadim Viviani, professor do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, à Agência FAPESP. "Essa tecnologia poderá ser usada para a análise de substâncias tóxicas em amostras de água ou para a bioprospecção de novos agentes microbicidas", diz o pesquisador, que já teve o pedido de patenteamento da técnica genética aprovada.
No caso dos experimentos realizados em Rio Claro, os pesquisadores inseriram o gene na bactéria Escherichia coli. "Dessa forma, esses microrganismos podem ser cultivados em larga escala para a produção massiva da enzima luciferase", explica Viviani.
O grupo da Unesp conseguiu outra proeza além do desenvolvimento dos biossensores. "Contamos hoje com a maior biblioteca de luciferases do mundo. Temos um conjunto de enzimas clonadas a partir de sete espécies diferentes de besouros [não é apenas o vagalume que tem luminescência] e mais de 30 substâncias mutantes produzidas em nosso laboratório", diz Viviani.
Segundo o professor da Unesp, todos os demais tipos de luciferases clonadas até agora produzem luz de tonalidade verde-amarela. "Mas, na nossa biblioteca, temos uma grande variedade de cores. São luciferases que produzem luz verde-amarela, mas também verde, amarela, laranja e vermelha", diz. Segundo o pesquisador, duas dessas substâncias estão sendo utilizadas para estudos em células de mamíferos por grupos de pesquisa no Japão.