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Idade da primeira menstruação pode indicar riscos à saúde da mulher ao longo da vida (76 notícias)

Publicado em 14 de julho de 2025

Um novo estudo brasileiro apresentado no congresso ENDO 2025, realizado em São Francisco, Califórnia, trouxe importantes evidências sobre como a idade da primeira menstruação, conhecida como menarca, pode influenciar a saúde da mulher ao longo da vida. A pesquisa foi conduzida com 7.623 mulheres brasileiras entre 35 e 74 anos, participantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), e revelou que tanto a menarca precoce quanto a tardia têm impactos distintos sobre a saúde a longo prazo.

Os dados indicam que mulheres que menstruaram antes dos 10 anos apresentam maior risco de desenvolver condições como obesidade, hipertensão, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Além disso, essas mulheres também mostraram maior probabilidade de enfrentar complicações reprodutivas, como a pré-eclâmpsia. Já aquelas que tiveram a menarca após os 15 anos tiveram menor risco de obesidade, mas apresentaram mais irregularidades menstruais e uma maior propensão a problemas cardíacos.

A autora do estudo, Flávia Rezende Tinano, da Universidade de São Paulo, destacou a relevância desses achados para o contexto brasileiro e outros países em desenvolvimento. “Agora temos evidências de uma grande população brasileira que confirmam como a puberdade precoce e tardia podem ter impactos diferentes na saúde a longo prazo”, afirmou. Ela ressaltou que essas informações podem ser usadas para prevenir e diagnosticar doenças crônicas com maior eficiência, especialmente onde o acesso a cuidados médicos é limitado.

A pesquisa reforça a necessidade de investir em educação em saúde e acompanhamento desde a adolescência, com atenção especial às meninas que apresentam menarca precoce ou tardia. Segundo Flávia, “essa informação pode orientar esforços mais personalizados de triagem e prevenção, além de enfatizar a importância da educação em saúde precoce para meninas e mulheres, especialmente em países em desenvolvimento”.

Com esses resultados, a idade da primeira menstruação se consolida como uma ferramenta simples, acessível e eficiente para identificar riscos à saúde feminina. O estudo amplia a compreensão sobre como o início da vida reprodutiva está diretamente ligado ao desenvolvimento de doenças décadas depois, apontando caminhos para estratégias de prevenção adaptadas às necessidades sociais e econômicas das mulheres.