Notícia

Jornal da USP

ICB 30 anos: Uma experiência acadêmica bem sucedida

Publicado em 06 dezembro 1999

Neste artigo limitar-me-ei a tecer algumas considerações sobre a fundação e a evolução acadêmica do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, criado pelo ato supramencionado, a partir da fusão das então chamadas cadeiras básicas das Faculdades de Medicina, Higiene e Saúde Pública, Odontologia, Farmácia e Bioquímica, Medicina Veterinária e da Escola de Educação Física. Embora não tenha participado do início do processo (naquele ano, iniciava minha graduação), os relatos apontam para um nascimento marcado por dificuldades, descrenças e sobretudo controvérsias, muitas das quais até hoje perduram. O ICB começou já privado de duas áreas biomédicas fundamentais: Bioquímica e Genética. Sua completa implantação na Cidade Universitária foi bastante retardada e concluiu-se somente há três anos. Nos primeiros anos da década de 70, com a construção do Edifício ICB I, juntaram-se os grupos das áreas de Histologia e Embriologia e de Fisiologia e Farmacologia. Pouco depois completou-se o prédio Biomédicas II, onde foram abrigados os docentes ligados aos campos de Parasitologia e de Microbiologia e Imunologia, sendo que a última área adquiriu sua autonomia departamental em 1982, e logo a seguir conseguiu um espaço próprio no edifício anexo ao Hospital Universitário, o qual veio a ser denominado ICB III. Os grupos ligados à área de Anatomia somente se estabeleceram numa mesma área, também no Edifício ICB III, a partir de 1995 e apenas no corrente ano, graças a recursos de projetos de infra-estrutura da Fapesp, passaram a dispor de laboratórios de investigação adequados, ocupando a área deixada pelo Departamento de Imunologia, que, em 1998, transferiu-se para o Edifício ICB IV, recentemente terminado. Por sua vez, o ensino prático de Anatomia Humana permanece até hoje nos chamados barracões, em condições físicas passíveis de significativa melhoria. A construção de uma identidade institucional assim como a definição de sua missão foram questões difíceis de lidar ao longo do tempo e que somente se consolidaram nos anos recentes, à medida em que a maior parte do corpo docente, inclusive muitas das lideranças, desenvolveu sua carreira na própria unidade, trabalhando ao lado de remanescentes dos grupos fundadores com forte e genuíno envolvimento acadêmico e principalmente graças à boa evolução que o ICB apresentou, como se verá nos próximos parágrafos. Se as primeiras linhas deste texto podem ter transmitido os sentimentos de antagonismo e as duras lutas que o ICB enfrentou nos seus primeiros anos, não se pode deixar de salientar que a nova unidade contou desde a sua criação com uma plêiade de cientistas valorosos e engajados, o que certamente determinou sua trajetória acadêmica. Sob o ponto de vista da qualidade dos seus quadros, o ICB herdou a tradição da boa pesquisa biomédica que se instalou no País, e em São Paulo particularmente, a partir das primeiras décadas deste século (Institutos Biológico. Bacteriológico, hoje Adolfo Lutz, Butantan) e que foi consolidada na USP pelo excelente desempenho sobretudo da Faculdade de Medicina nas décadas subseqüentes. Sob esta ótica, não tenho dúvidas em afirmar que o ICB é muito bem-nascido! Ao completar 30 anos, o ICB conta com 154 docentes (30% menos que no início dos anos 90), 95% dos quais em RDIDP, distribuídos em sete Departamentos (Anatomia Humana, Histologia e Embriologia, Fisiologia e Biofísica, Farmacologia, Imunologia, Microbiologia e Parasitologia), além de sediar o Centro de Pesquisas em Biotecnologia da USP e de dispor de um centro avançado para estudo de moléstias tropicais na região amazônica. A infra-estrutura para ensino e pesquisa destes departamentos ocupa hoje 40.000 m2 em quatro diferentes prédios. Uma das grandes riquezas do ICB reside na diversidade de origem e de formação básica de seus docentes: biólogos/biomédicos, médicos, farmacêuticos-bioquímicos, cirurgiões-dentistas, médicos veterinários, químicos e físicos, que, trabalhando em igualdade de condições e de oportunidades, se complementam mutuamente para fazer uma pesquisa de nível cada vez mais elevado. No item Ensino de Graduação, o ICB não dispõe de alunos próprios, sendo responsável pelo ensino das disciplinas das áreas já mencionadas para os estudantes das escolas de Educação Física e Esporte (EEFE) e de Enfermagem (EE), das Faculdades de Ciências Farmacêuticas (FCF), Medicina (FM - cursos de Medicina, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional), Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ). Odontologia (FO), Saúde Pública (FSP - graduação em Nutrição) e dos Institutos de Biociências (IB) e de Psicologia (IP), alem da participação no curso de Ciências Moleculares. Recebe uma média de 1.800 alunos por ano, perfazendo um total de 8 mil matrículas em disciplinas, e neste sentido é uma das unidades líderes em ensino de graduação da USP. O ICB contribui com 25% do total de créditos-aula em disciplinas para o curso de Medicina, 23% para Odontologia, 20% para o curso de Medicina Veterinária, 17% para o curso de Farmácia e Bioquímica, sendo menor a sua participação nos demais citados anteriormente. No início deste ano, com a inauguração da ala central do Edifício ICB IV, 14 novas salas de aula tornaram-se disponíveis, contando o ICB hoje com 2.200 lugares em salas de aula, 25% dos quais adaptados para aulas práticas nas diferentes disciplinas. A biblioteca foi recentemente duplicada para oferecer aos alunos de graduação uma área adicional de 4502 para estudo individual e em grupos. Em várias áreas o ensino de graduação praticado no ICB tem se tornado um modelo amplamente seguido. Citaria a experiência do Departamento de Histologia & Embriologia, difundida através do livro Histologia Básica dos Professores Luiz Carlos U. Junqueira e José Carneiro, que constitui o best seller na área em todo o mundo, encontrando-se na 9ª edição em português e em inglês.