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Correio Popular

IAC conclui em janeiro seqüenciamento do genoma do café

Publicado em 18 dezembro 2002

Por Maria Teresa Costa - teresa@cpopular.com.br
O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) deve concluir nas próximas semanas o seqüenciamento genético do café, informou ontem o pesquisador Carlos Colombo, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Recursos Genéticos Vegetais do IAC e coordenador paulista do projeto. O seqüenciamento define, letra pôr letra, como a natureza escreveu a história do café. Pelo menos 80% das seqüências já estão prontas e, até o final de janeiro, os pesquisadores começarão a trabalhar na identificação, entre os 30 mil genes previstos da planta, daqueles que apressam as características mais importantes. Os pesquisadores querem descobrir quais são os genes que conferem a característica de resistência da planta, que regulam o tempo de maturação do fruto e que dão qualidade à bebida. São previstas a identificação de 200 mil seqüências genéticas no café. Metade delas está sendo trabalhada por uma rede de 20 laboratórios paulistas coordenada por Colombo e a outra metade pelo Centro Nacional de Recursos Genéticos (Cenargen). A parte que cabe ao Cenargen só deverá estar concluída no final do próximo ano. A metade paulista termina em janeiro. Já há, conforme Colombo, 80 mil seqüências prontas das 100 mil previstas para serem identificadas pela equipe do IAC. Mesmo com o atraso do Cenargen, será possível, conforme Colombo, iniciar o genoma funcional do café. O IAC coordena o Projeto Genoma do Café em São Paulo, resultado de uma parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (fapesp) com o Consórcio de Pesquisa Cafeeira do Brasil, que reúne uma rede de laboratórios no projeto. O seqüenciamento envolve 20 laboratórios paulistas e o Cenargen. A identificação dos genes que conferem as características essenciais à planta vai permitir o desenvolvimento de uma planta ideal, ou seja, resistente à pragas, de maturação rápida e boa para ser consumida. Para isso, estão sendo seqüenciados o material genético de tecidos de flor, fruto, caule, folha e raiz, utilizando uma técnica chamada de Etiquetas de Seqüências Expressas (EST), que vem da tradução de Expressed Sequence Tags. Essa tecnologia permite o seqüenciamento genético de plantas rápido e incompleto, e que identifica as porções dos genes que codificam proteínas, os chamados genes funcionais. Os pesquisadores estão seqüenciado o genoma do café arábica tipo Novo Mundo. Esse café foi desenvolvido no IAC e hoje representa 70% do café plantado no Brasil. "Queremos melhorar a qualidade do nosso café", diz Colombo. Dos 20 laboratórios paulistas que participam do Projeto Genoma do Café, estão laboratórios da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP) e dois do IAC - o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Recursos Genéticos Vegetais e o Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Citros. O projeto recebeu, em sua primeira fase, investimento de R$ 1,9 milhão, 50% custeados pelo Consórcio, outros 25% pela Fapesp e os 25% restantes pela Cenargen. O Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, que reúne 40 instituições de 12 estados brasileiros, é financiado pelo Conselho de Desenvolvimento da Política Cafeeira (CDPC), que congrega representantes do setor e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento.