Notícia

O Expresso Online

IAC comemora uma década de mestrado e um ano de doutorado

Publicado em 09 março 2009

Dez anos do curso de mestrado e o primeiro ano do doutorado. Com esses dois importantes momentos na formação de profissionais do agronegócio brasileiro, a Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Subtropical do Instituto Agronômico (IAC) fez sua aula inaugural na segunda-feira, 02, às 9h, na Sede do IAC, em Campinas. A aula sobre o agronegócio paulista e brasileiro em seu cenário atual e perspectivas foi ministrada pelo coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, Orlando Melo de Castro.

No evento, a coordenadora do curso, Ana Maria Magalhães Andrade Lagoa, apresentou os avanços alcançados no curso de mestrado ao longo dos anos, que culminaram com a aprovação do doutorado pela CAPES, em 2008. O diretor-geral do IAC, Marco Antonio Teixeira Zullo, também participou da recepção aos novos alunos para falar sobre uma década de atuação na formação de recursos humanos e os desafios inerentes ao pioneirismo do IAC também ao criar a pós-graduação.

Em 1999, a PG-IAC foi o primeiro curso autônomo de pós-graduação stricto sensu – mestrado – oferecido no Estado de São Paulo por uma instituição de pesquisa não pertencente ao sistema universitário.

Na avaliação de Zullo, um dos grandes benefícios para a Instituição é a renovação de ideias e práticas provocada pelos pós-graduandos, além dos investimentos alcançados com os projetos.

Este ano a PG-IAC ganha também novas instalações, fruto da parceria com a Campinas Decor. A edição 2009 do evento ocupou o prédio onde funciona a pós-graduação. De acordo com Ana Lagoa, como parte das obras, serão criados dois laboratórios multidisciplinares específicos para o ensino de práticas científicas nas áreas de concentração do curso – Gestão de Recursos Agroambientais, Melhoramento Genético Vegetal e Tecnologia da Produção Agrícola. Ainda como resultado do evento, serão construídos quatro novos espaços adequados para realização das defesas de teses.

A inovação do IAC inspirou outros institutos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento a transferir seus conhecimentos a profissionais. Em 2004, o Instituto de Pesca passou a oferecer o curso de mestrado. Três anos depois o Instituto Biológico criou o curso em São Paulo e no ano passado foi a vez do Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa, implantar o curso.

O programa de pós-graduação do IAC destaca-se por desenvolver estudos ligados a problemas práticos da agricultura. As pesquisas envolvem as mais diversas culturas e diferentes sistemas de cultivo, com foco em redução de uso de água, conservação do solo, controle de pragas e doenças e outros. A PG-IAC tem gerado tecnologias almejadas pelo setor produtivo e por isso passam a ser adotadas pelos produtores.

Exemplo recente está no estudo com sistema de sangria de seringueiras que confere maior produtividade aos seringais. A tecnologia é importante porque a forma de retirada do látex da seringueira é uma das práticas mais importantes da cultura, já que esse procedimento determina a vida útil do seringal e sua produtividade. Além disso, a extração responde por aproximadamente 60% dos custos totais de borracha produzida.

Outra tecnologia gerada na PG-IAC e logo adotada foi o cultivo vertical do morangueiro, sistema que reduz doenças, mão-de-obra e custos de produção. Mais um caso de sucesso está na pesquisa premiada durante o 52º Congresso Brasileiro de Genética, em que a então mestranda Ana Luiza Ahern Beraldo foi agraciada com o prêmio “Alcides Carvalho”.

O trabalho reconhecido é fruto da sua pesquisa com feijoeiro, em que desenvolveu uma técnica eficaz de seleção assistida de genes, através de marcadores moleculares do tipo SCAR, resistentes à antracnose.

Antes desse trabalho, eram identificadas apenas as linhagens de feijão resistentes ou não ao patógeno da antracnose, mas com o resultado da pesquisa foi possível saber quais são os genes envolvidos nesse processo.

“Aqui tive a sorte de trabalhar, conviver e aprender com professores e pesquisadores que nos estimularam e ensinaram, com uma dedicação fora do comum, todos os segredos do melhoramento genético vegetal, fazendo com que nos apaixonemos por esse lugar”, ressaltou Ana Luiza à época em que recebeu o prêmio.

Esses são apenas três exemplos, mas o mestrado no IAC já tem 188 pesquisas concluídas. Dessas, 70 estão na área de Gestão de Recursos Agroambientais, 50 na área de Melhoramento Genético Vegetal e 68 em Tecnologia da Produção Agrícola. Outras estão em 108 em andamento atualmente, sendo 104 de alunos do mestrado e quatro do doutorado, que iniciou suas turmas em 2009.

A credibilidade do Instituto Agronômico atrai não só os alunos, mas também contribui para conquistar a confiança do meio científico. Com isso, o curso recebe investimentos de agências de fomento à pesquisa – como Fapesp, CNPq e Capes – viabilizando bolsas de estudo aos pós-graduandos e financiamentos dos projetos de pesquisa.