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Correio Popular

IAC chega à sua milésima variedade

Publicado em 29 junho 2013

Por Rogério Verzignasse

Uma celebração especial, com direito a homenagens a produtores rurais, pesquisadores e servidores de apoio, marcou ontem as festividades pelos 126 anos do Instituto Agronômico (lAC) em Campinas. A instituição, tradicionalíssima, sempre contribuiu para a modernização do campo, gerando soluções técnicas para o aumento da produção de alimentos pelo Brasil. Mas ontem havia um motivo especial para festa: o lançamento do milésimo cultivar da história do instituto.

Sementes estarão no mercado a partir do final deste ano

A IAC Milênio é uma nova variedade de feijão. No programa de melhoramento do feijoeiro, esse cultivar é o melhor já desenvolvido, considerando-se produtividade, estabilidade de produção, qualidade de grãos, teor de proteínas, tempo de cozimento. Mas a principal característica da variedade é a resistência a doenças como a antracnose e à murcha de Fusarium, as duas causadas por fungos e responsáveis atualmente por nada menos que 30% dos recursos gastos pelo produtor com a aplicação de agrotóxicos.

A nova variedade entusiasma. De acordo com o diretor geral do IAC, Sérgio Augusto Morais Carbonell, a modernização contribui para que o feijão deixe de ser uma cultura de subsistência e se torne cada vez mais um artigo de agronegócio. Estima-se que, por tantas qualidades, o IAC Milênio se torne rapidamente um dos cultivares mais plantados no Brasil.

"A partir do melhoramento genético, podemos colocar no mercado grãos de qualidade em qualquer época do ano", afirma. Atrativos, avalia, que incentivam o produtor a investir em maquinário, aprimorar a produção, fechar negócios, gerar posto de trabalho, lucrar. Carbonell trabalha desde 1994 no instituto e, coincidentemente, sempre esteve envolvido no melhoramento do feijoeiro.

As pesquisas com o IAC Milênio começaram em 2007 e foram financiadas por recursos do governo paulista, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). As sementes, estima-se, estarão disponíveis para as empresas multiplicadoras a partir do final deste ano.

Carioca

A tecnologia desenvolvida no IAC ao longo das décadas está muito presente nas mesas brasileiras. Saiu do instituto ainda nos anos 70, por exemplo, o cultivar do feijão carioca, ou carioquinha, até hoje o mais consumido pelos brasileiros.

De lá para cá, 42 cultivares de feijoeiro foram desenvolvidos, um melhor que o outro. "O Agronômico produz ciência agrícola com elevada competência, com resultados que atravessam décadas", diz o diretor. "Hoje, focamos as pesquisas na qualidade nutricional do grão", diz o diretor.

- 31 mil TRABALHADORES

Do campo já foram treinados pelo IAC em 20 estados brasileiros

- 90% DOS CAFEZAIS

Brasileiros do tipo arábica usam cultivares desenvolvidos no IAC

- 42 CULTIVARES

De feijão já foram desenvolvidos pelo IAC, o que coloca a leguminosa na lista de culturas com maior número de cultivares lançados pelo instituto

Pesquisas beneficiam tanto grandes como os pequenos

O IAC contribui efetivamente, ao longo de seus 126 anos, com soluções tecnológicas que beneficiaram o pequeno, o médio e o grande produtor. A pesquisa modernizou a produção de grãos, hortaliças, frutas, café, cana-de-açúcar, látex e flores. Em espaços menores, o agricultor produz mais e melhor. O instituto também desenvolve tecnologia nas áreas de fitossanidade, recursos genéticos, engenharia e automação, climatologia e solos. Sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica sempre nortearam a prestação de serviços. O agricultor aprende a aplicar corretamente os agrotóxicos, a evitar desperdícios e contaminação. O treinamento de lavradores é feito na própria roça. As pessoas interessadas em saber detalhes sobre a história e a estrutura atual do instituo podem acessar o site www.iac.sp.gov.br.

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

rogerio@rac.com.br