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IAC apresenta algodão 26 RMD para visitantes da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP)

Publicado em 04 maio 2013

Variedade de algodão 30% mais produtiva que as encontradas no mercado, com fibras brancas e comprimento médio, características apreciadas pela indústria, é o mais novo material do Instituto Agronômico da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IAC/Apta/SAA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, que está na Agrishow 2013.

Trata-se do IAC 26 RMD, que possui resistência múltipla a doenças, porte médio, com período de colheita de 150 a 180 dias, conforme as condições da cultura. "A variedade superou a testemunha quanto ao rendimento de pluma e mostrou-se equivalente quanto à qualidade tecnológica da fibra", afirma Milton Geraldo Fuzatto, pesquisador voluntário do IAC. A testemunha é o material usado no estudo  comparativo de desempenho da nova variedade durante o desenvolvimento da pesquisa.

A variedade possui resistência às principais doenças da cultura que ocorrem no Brasil, como os nematoidesMeloidogyne e Rotylenchulus, aos fungos murcha de Fusarium, manchas de Ramularia e Alternaria, bactériaMancha-Angular e o vírus Mosaico das Nervuras. De acordo com Fuzatto, essa resistência leva à redução no custo da produção, no uso de defensivos agrícolas e pode viabilizar a cultura em áreas infestadas por nematoides. "O maior destaque da IAC 26 RMD é a resistência a doenças, adaptação aos sistemas de produção e a estabilidade da produção", diz.

Em ensaios realizados, a IAC 26 RMD teve produtividade máxima de 6010 quilos de algodão em caroço por hectare, a variedade Nuopal que serviu de comparação produz 5130 quilos de algodão em caroço por hectare. "Nos testes necessários para seu registro, produziu em média 30% mais do que a cultivar testemunha. Na presença de nematoides produziu 53% mais. Devido à resistência as doenças revelou maior estabilidade da produção", afirma o pesquisador.

As principais regiões produtoras de algodão no País são os Estados do Mato Grosso, com 537 mil hectares, Bahia, com 284 mil hectares, Goiás, com 50 mil hectares, Mato Grosso do Sul, com 39 mil, Minas Gerais, com 21 mil, São Paulo, com 7,2 mil hectares e Maranhão, com 17 mil. "São Paulo planta pouco algodão atualmente, a região mais importante é a região de Paranapanema", diz Fuzatto. O Brasil é 5º maior produtor mundial e o 4º exportador de algodão.

O desenvolvimento da IAC 26 RMD é resultado de um programa de melhoramento genético iniciado em 1982, que tinha o objetivo de produzir variedades mais resistentes às principais doenças do algodoeiro no Brasil. A pesquisa teve o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, do Instituto Mato-Grossense do Algodão e do Fundo de Incentivo à Cultura do Algodão de Goiás.

Programa de Melhoramento do Algodoeiro - O Programa de Melhoramento Genético do Algodoeiro no Instituto Agronômico iniciou em 1924. As pesquisas iniciadas em 1982 buscaram desenvolver cultivares resistentes às doenças e nematoides, além de produtivas e estáveis. As novas variedades são de plantas compactas, de ciclo relativamente determinado, médio/precoce, e resistentes ao acamamento, características que agradam os produtores.