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Jornal da USP online

Humberto Mauro e o cinema

Publicado em 17 junho 2013

Descobrimento do Brasil e Os Bandeirantes, filmes da década de 30, encomendados por Vargas ao cineasta Humberto Mauro (1897-1983), são a base do livro lançado pelo professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Eduardo Morettin. Humberto Mauro, Cinema, História (Alameda Casa Editorial/Fapesp, 494 págs., R$ 94,00) é resultado dos estudos de Morettin sobre história e cinema. O autor utiliza conceitos da área para mostrar a maneira pela qual o governo Vargas tentava controlar e padronizar a produção cultural da época em prol do Estado Novo e dos seus próprios ideais. Para isso, Morettin analisou os filmes em questão, de forma a reconstruir o imaginário construído e estabelecer as relações entre os projetos ideológicos e contexto com os quais as produções dialogam. A pesquisa recupera uma faceta pouco lembrada do cineasta – mais conhecido da crítica pelos filmes de ficção de linguagem hollywoodiana –, uma visão nacionalista mais radical, mais conservadora, já que passou a acreditar que o País ainda não estava pronto para as vanguardas. Para Humberto Mauro, naquele momento, o cinema era sinônimo de educação. Não seria com a ficção que o País melhoraria, mas com o amor à pátria, capaz de redimir os brasileiros “corrompidos pelo pecado original”, acreditava o diretor de cinema. Nesse contexto, Morettin faz uma conexão do passado com o presente, e aborda a participação de intelectuais e artistas, como Villa-Lobos e Roquette Pinto, chaves importantes na construção política e cultural da época. Para o pesquisador, o cinema é um lugar de memória e instrumento de entendimento do passado.