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Hospital em São Paulo testa tratamento com luz (e alivia 90% das dores)

Publicado em 04 outubro 2018

Assim como o organismo reage para combater a dor quando recebe uma substância química, o corpo deve reagir ao receber luz do aparelho desenvolvido pela empresa de Marcelo Sousa.

Quando a região afetada recebe a luz, as células reagem à dor e passam a produzir remédios para combatê-la. “A artrose causa dor e inflamação e um desgaste na cartilagem. A gente envia um remédio digital de luz que é capaz de tratar esses três problemas”, explica Marcelo Sousa.

“Já se sabe que a luz tem um efeito anti-inflamatório e antioxidante, ela age no sistema nervoso central aumentando a produção de substâncias analgésicas”, afirma Hazem Ashmawi, médico especialista em dor do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, que estima: no mundo, seriam de 25% a 30% da população mundial com dor crônica.

Marcelo Sousa – doutor em fotoneuromodulação (área que estuda os efeitos da luz nos neurônios) – garante que seu produto é capaz de tratar 90% dos tipos de dores, inclusive dores crônicas, um problema que atinge 37% dos brasileiros, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED).

Para o projeto acontecer, Sousa fundou uma startup com capital inicial de R$ 200 mil e recebeu R$ 600 mil de investidores interessados no produto, além de R$ 1 milhão da Fapesp para desenvolver sua pesquisa.

Para ir ainda mais longe, a empresa abriu um financiamento coletivo para quem quiser colaborar com os estudos do remédio digital.

A decisão de abrir uma empresa para desenvolver o remédio digital aconteceu para que os testes acontecessem mais rápido e pudessem abranger um público maior. O pesquisador também espera que o dispositivo possa ser comercializado em farmácias um dia.

Os pacientes serão divididos em três grupos de 30 indivíduos: um de pessoas saudáveis, outro de pessoas com a doença que receberão o tratamento com o dispositivo e o último receberá um placebo.

Os pacientes receberão dez aplicações do remédio digital durante o tratamento. “Queremos ver se o remédio diminui a dor e a funcionalidade do paciente”, diz Ashmawi.

São dois fatores que determinam a dose de remédio digital para cada paciente: as características da doença que está sendo tratada e as características do paciente, como cor de pele, peso, idade e gênero.

A artrose é uma doença que atinge principalmente a população idosa e causa limitação de movimento, dor e inflamação. Preocupados com o avanço da doença causado pelo envelhecimento da população, a equipe de Sousa e do HC espera poder oferecer uma solução.

“É uma doença que não tem soluções de tratamento pela medicina”, afirma Ashmawi. O remédio digital, no entanto, não promete uma cura. “É um tratamento para dor e perda de função. É um tratamento complementar ao analgésico”, afirma Sousa.

Os especialistas, no entanto, estão otimistas. Estudos iniciais da Bright Photomedicine apresentaram resposta positiva com 80% dos pacientes que sofriam com diversos tipos de dores crônicas.

O aposentado Marcos Salles, de 82 anos, foi um dos pacientes que participaram dos testes em abril. “Tenho um problema no joelho e ando de muletas, já fiz todo tipo de tratamento e até cirurgia”, conta. Há mais de 20 anos, Salles sentia dor a todo momento. “Tudo o que existe de remédio eu já tomei, até aquele que matou o Michael Jackson”, diz.

Desde que passou pelo tratamento com a fototerapia, no entanto, Salles não toma mais nenhum analgésico para a dor no joelho. “Não sentir dor é uma maravilha”, afirma.

Evitar efeitos colaterais provocados pelo consumo excessivo de medicamentos a quem sente dor é um dos objetivos do remédio digital. O físico também espera que quem gasta demais com remédios possa economizar. O tratamento de dez doses do remédio digital, que dura em média dois meses, custará de 300 a 600 reais.