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Brasil Econômico

Hospitais privados investem em ciência e ensino médico

Publicado em 23 janeiro 2010

Até recentemente, a única forma de médicos e outros profissionais de saúde tomarem conhecimento das novidades em suas áreas eram os congressos ou os cursos de atualização oferecidos pelas instituições públicas. Não mais. Seguindo uma tendência internacional, um número significativo de hospitais privados de primeira linha está investindo na criação de institutos de ensino e pesquisa (IEP), sem falar em cursos de pós-graduação.

São hospitais já conhecidos como centros de excelência, como o Albert Einstein e o Sírio Libanês, em São Paulo, ou o Moinhos de Vento, em Porto Alegre. E outros que inauguraram seus IEPs nos últimos três anos, como o Cor e o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, ambos em São Paulo.

"Hoje se reconhece que bom hospital é aquele que gera conhecimento e não somente aquele que o aplica", afirma Otávio Berwanger, diretor do IEP do HCor. Ele não se refere apenas ao conhecimento relacionado a novos recursos tecnológicos. Mas à gestão, avaliação e métodos diagnósticos. "Antes, os estudos sobre aplicação do conhecimento na área médica vinham de outros países com outra realidade", explica. "Agora, estamos replicando isso no nosso sistema de saúde."

Essa tendência ganhou força com a entrada em vigor da nova lei de filantropia, que estabelece como condição para a obtenção do benefício da isenção fiscal o repasse do conhecimento e da tecnologia para o SUS. Parte das pesquisas realizadas pelo IEP do HCor em São Paulo, por exemplo, é feita em parceria com o ministério. O mesmo ocorre com outras instituições.

Fontes de financiamento

O fato é que dedicar parte do corpo clínico à pesquisa custa caro aos hospitais. Em geral a fonte de recursos são as indústrias do setor, interessadas em estudos envolvendo testes de novas drogas, equipamentos e tecnologias. Mas também a aplicação dos resultados obtidos em laboratório para pacientes.

Outra possibilidade de recursos vem das agências financiadoras, como a Fapesp, em São Paulo, ou o CNPq. "Hoje o próprio Ministério da Saúde reconhece a importância da inovação e incentiva o desenvolvimento de pesquisas", afirma Gustavo Kesselring, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. A instituição iniciou em junho passado um curso via internet de capacitação clínica em pesquisa para profissionais da rede de hospitais de ensino em parceria com o Ministério da Saúde.

Instituições como o Hospital Israelita Albert Einstein investem há anos em pesquisa para avaliação de novos processos e tecnologias e para a formação de seus profissionais. Mas também em pesquisa pura."Tudo isso significa inovação e reconhecimento", afirma LuizVicente Rizzo, diretor superintendente do IEP do hospital. O Albert Einstein teve 344 estudos publicados em revistas científicas em 2009, 50% a mais do que no ano anterior.