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Gazeta Maringá

Hospitais ignoram governo e recusam internamento de doentes mentais

Publicado em 02 agosto 2012

Por Maria Gizele da Silva

Onze anos após a implantação da reforma psiquiátrica, os hospitais gerais, como são chamados aqueles conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS), ainda descumprem a determinação de internar doentes mentais e dependentes químicos. Hoje, esses pacientes são atendidos em hospitais de referência ou nos especializados. Desde a reforma, em 2001, que fechou manicômios em todo o país, portarias publicadas pelo Ministério da Saúde continham essa determinação. A última portaria é do fim de julho e estabelece a oferta de até 15% dos leitos dos hospitais para o atendimento a esses pacientes.

Porém, a resistência existe até mesmo nos hospitais regionais administrados pela Secretaria da Saúde do Paraná. O Hospital Regional de Ponta Grossa, inaugurado em 2010, não tem uma ala específica para esse público. Os hospitais regionais do Noroeste (em Paranavaí) e Norte Pioneiro (Santo Antônio da Platina) também encaminham os casos para os hospitais de referência.Pioneirismo

Universidades se unem para inibir transtornos mentais em adolescentes

Wstudos indicam que é na adolescência que surgem transtornos como depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar, as doenças crônicas que mais afetam a população na faixa etária de 10 a 24 anos no mundo. Entre 50% e 75% desses transtornos teriam início na adolescência.

Com base nessa constatação, países como a Austrália e o Canadá criaram centros de prevenção voltados a jovens, de modo a diagnosticar adolescentes que apresentam ou que estão expostos a fatores de risco que potencializam o desenvolvimento de adições, estados depressivos e transtornos mentais graves como esquizofrenia e transtorno afetivo bipolar.

Agora a ideia de replicar essa experiência no Brasil tem reunido pesquisadores dos departamentos de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade de São Paulo (USP) e da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (FMRP). O objetivo é criar em São Paulo um centro de convivência de jovens com maior probabilidade de desenvolver transtornos do neurodesenvolvimento, agindo na prevenção. As informações são da Agência Fapesp.

Segundo Jair de Jesus Mari, professor do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e coordenador da iniciativa, a ideia é inibir ou retardar surtos e mudar o comportamento em relação a fatores de risco, como o uso de maconha, álcool, drogas, tabaco e exposição a traumas.