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Hormônios femininos podem ter papel protetor contra Covid-19, supõe pesquisa brasileira

Publicado em 14 maio 2020

A tendência mundial de homens morrerem após o diagnóstico de Covid-19 é 50% maior do que mulheres, de acordo com dados da organização Global Health 50/50, mantida pelo University College London (Reino Unido). No Ceará, por exemplo, 58,2% dos 1,4 mil óbitos por infecção do novo coronavírus foram do sexo masculino, considerando informações do IntegraSUS, atualizadas às 10h25min desta quinta-feira, 14.

A partir desta constatação e da análise da literatura sobre o Sars-Cov, identificado em 2002, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) decidiram investigar o papel dos estrogênios, hormônios femininos, na proteção fisiológica contra o novo coronavírus.

“Estudos anteriores, realizados com o coronavírus Sars-Cov, apontaram diferenças de gênero na infecção e progressão da doença, com maior suscetibilidade de indivíduos do sexo masculino, e indicaram que os estrogênios poderiam estar associados à maior proteção fisiológica das mulheres”, diz o coordenador do projeto Rodrigo Portes Ureshino à Agência Fapesp.

O objetivo é conseguir chegar a compostos com potencial terapêutico. A equipe já está na etapa de experimentação em laboratório, na qual linhagens de células com cepas (variedades genéticas de um mesmo vírus) selvagens de coronavírus foram infectadas por 40 compostos com atividade estrogênica.

Entre os compostos a serem testados, Ureshino destaca o 17-estradiol (o estrógeno mais abundante no organismo), o tamoxifeno (um modulador seletivo dos receptores estrogênicos) e a agenisteína (um fitoestrógeno). Todos os três já foram utilizados com êxito em modelos de outras doenças virais.

Nessa etapa de testes in vitro, o projeto produziu um artigo em fase pré-print, ou seja, que ainda precisa ser avaliado por pesquisadores fora do estudo. O documento “SARS-CoV-2 e a possível conexão com ERs, ACE2 e RAGE: foco em fatores de suscetibilidade” foi aprovado no dia 10 de maio e tem como primeira autora a doutora Roberta Sessa Stilhano, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa (FCMSCSP).