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Hormônio nacional será 30% mais barato

Publicado em 11 fevereiro 2003

Por Fabiana Pio
Pequenas empresas nacionais, em breve, irão comercializar no Brasil o primeiro hormônio do crescimento com tecnologia 100% nacional, que deverá custar 30% a menos que o medicamento importado. A partir de abril deste ano, a pequena Genosys, em parceria com a brasileira Brascap, começará a vender o produto em São Paulo. Já a brasileira Biolab-Sanus, que adquiriu 75% das ações da pequena Hormogen, irá investir US$ 2 milhões a partir de 2003 para o lançamento comercial do produto. De acordo com Jaime Ritter, sócio da Genosys, apenas a Genosys e a Hormogen detém tecnologia nacional. O produto atualmente é comercializado no País por multinacionais como Serono. Lilly, Novo Nordisk e por brasileiras como Biosintética e Bérgamo, que importam a tecnologia da Argentina e Coréia, respectivamente. Estima-se que o Brasil importe um milhão de doses do hormônio do crescimento por ano, o equivalente a US$ 1S milhões. De acordo com Ritter, esse medicamento irá atender, primeiramente, crianças com deficiência no crescimento ou nanismo, doença que atinge cerca de 10 mil brasileiros. Esse mercado está avaliado em US$ 5 milhões, e cresce de 2O% a 30% em média no Brasil. "Pretendemos faturar R$ 5 milhões por ano com a venda do hormônio do crescimento. Para isso, iremos participar de licitações do governo, nosso principal cliente", diz o pesquisador da Genosys. O hormônio do crescimento também usado para aumentar a massa óssea de mulheres na menopausa e em tratamentos de rejuvenescimento, por exemplo. A Genosys, em parceria com a Brascap, pretende abastecer o mercado de São Paulo, onde estão localizados o Hospital daí Clínicas e o Hospital da Criança, que atendem pelo menos 700 crianças. Ritter explica que o medicamento é produzido sob demanda e não pode ser estocado por mais de dois anos. "Em apenas cinco dias conseguimos produzir um lote de dois mil a três mil ampolas de quatro unidades", diz o pesquisador. Para desenvolverem a tecnologia, a Genosys e a Hormogen participaram do Programa de Inovação Tecnológica, em pequenas Empresas (PIPE)( da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São (Fapesp). Segundo Ritter, a Genosys recebeu, em 1997, cerca de US$ 300 mil para a pesquisa. "Na época o valor do dólar era equivalente ao real", explica Ritter. Ambas as tecnologias da Genosys e Hormogen estão baseadas na engenharia genética do DNA recombinante. Mas, segundo Paolo Bartolini, sócio da Hormogen, as técnicas utilizadas são diferentes. "Registramos a patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial", diz o pesquisador. A Hormogen já está se preparando para mudar-se para a Itapecerica da Serra, onde ocupará parte das instalações de uma das quatro fábricas da Biolab-Sanus, e continuará a realizar pesquisas de novos medicamentos na área de hormônio. A brasileira Brascap está localizada em Sorocaba, e atua há mais de 20 anos no mercado fabricando cápsulas para laboratórios e empresas. Há oito anos, a Brascap criou a Farmagel, empresa de fitoterápicos. Já a BiolabSanus atua no País há apenas cinco anos em nichos específicos. A empresa pretende conquistar 20% do mercado nacional. Ela espera exportar para a América Latina. Só em 2002, exportou US$ 800 mil para essa região. E espera chegar, em cinco anos, a US$ 30 milhões em vendas, incluindo o hormônio do crescimento. DEFICIÊNCIA ATINGE UMA EM CADA 15 MIL CRIANÇAS NO PAÍS Uma em cada 15 mil crianças no País sofre de deficiência de crescimento ou nanismo. O tratamento é caro: custa R$ 40 mil por ano, dura de cinco a de/ anos, e o medicamento é injetado no indivíduo de três u quatro vezes por semana. O tratamento deve ser iniciado assim que a doença for identificada. E o paciente cresce de acordo com sua genética. O principal comprador do hormônio do crescimento é o governo. Segundo Jaime Ritter, sócio da Genosys, a empresa pretende comercializar o medicamento por cerca de R$ 22, graças às grandes encomendas. Já para uma clínica particular, cada ampola custa cerca de R$ 90. Segundo Ritter, antigamente, o hormônio do crescimento era extraído de cadáveres. Mas, descobriu-se que ele estava causando a versão humana da vaca-louca nos pacientes. Com isso, foi proibida a extração desse hormônio de cadáveres, e foi desenvolvida a tecnologia, que permite produzir o hormônio do crescimento a partir do DNA recombinante. Essa técnica consiste em extrair o gene do DNA e colocá-lo numa bactéria, que irá produzir o hormônio do crescimento. A partir disso, ele é purificado e utilizado.