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‘Hormônio do amor’ pode prevenir surgimento de osteoporose, diz estudo

Publicado em 16 junho 2020

Um estudo coordenado pelo Laboratório de Fisiologia Endócrina e Envelhecimento do Departamento de Ciências Básicas da Unesp de Araçatuba/SP apontou que a ocitocina – também conhecida como “hormônio do amor” por ser liberada na presença de parceiros – pode ser uma forte aliada no controle e na prevenção da osteoporose, doença responsável por deixar os ossos “fracos”.

A pesquisa, que utilizou ratas no fim do período fértil, mostrou que o hormônio reverteu fatores que antecedem a osteoporose, como a diminuição da densidade e da resistência óssea e também de substâncias que favorecem a formação do osso.

De acordo com a coordenadora do laboratório da Unesp de Araçatuba, Rita Menegati Dornelles, a pesquisa abrange o período da pré-menopausa.

“Nosso estudo tem como enfoque a prevenção da osteoporose primária. Por isso, investigamos mecanismos fisiológicos que ocorrem no período pré-menopausa. Nessa etapa da vida da mulher, medidas de prevenção podem evitar que os ossos se tornem frágeis e que ocorram fraturas, o que poderia reduzir a qualidade e a expectativa de vida”, diz Rita.

A coordenadora explica que a puberdade e a perimenopausa (transição para a menopausa, que pode durar vários anos) são dois marcos hormonais marcantes na vida da mulher. Tais eventos, marcam, respectivamente, o início e o término do período de fertilidade.

“Estuda-se muito a pós-menopausa, quando a mulher deixa de menstruar. No entanto, as oscilações hormonais que ocorrem antes, na perimenopausa, já são bastante fortes e estão relacionadas com a diminuição gradual da densidade óssea. É preciso haver estudos visando a prevenção da osteoporose nessa fase, pois o período após a menopausa representa cerca de um terço da vida e deve ser vivido com qualidade” diz.

Estudo

No estudo, publicado na Scientific Reports e apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), os pesquisadores aplicaram apenas duas doses do hormônio ocitocina, com 12 horas de diferença entre uma injeção e outra, em um grupo de 10 ratas Wistar.

Segundo a Unesp, os animais tinham 18 meses de vida, algo incomum para estudos de laboratório, pois as pesquisas geralmente são realizadas com animais jovens submetidas a ovariectomia, processo de remoção cirúrgica de um ou ambos ovários.

Rita explica que, em média, ratos de laboratório vivem cerca de três anos. As fêmeas do estudo estavam no período da periestropausa, equivalente à perimenopausa humana, e em processo natural do envelhecimento.

Após 35 dias de tratamento com ocitocina, foram analisadas amostras de sangue e do colo do fêmur dos animais. Houve também comparação desses dados com os de outras 10 ratas, também com 18 meses de vida, que não receberam o hormônio.

De acordo com a coordenadora, na comparação, os animais que receberam as doses de ocitocina apresentaram estrutura óssea sem sinais de osteopenia (perda de densidade óssea). O quadro foi diferente no grupo controle.

“A ocitocina ajuda a modular o ciclo de remodelação óssea das ratas. Os animais que receberam o hormônio tiveram aumento dos marcadores bioquímicos associados à renovação do osso, como a expressão de proteínas que favorecem a formação e a mineralização óssea”, afirma Rita.

Na análise das amostras de sangue, ela relata que foi possível observar maior presença de biomarcadores ósseos sistêmicos importantes, como a atividade da fosfatase alcalina.

“Produzida por células osteogênicas, a substância está associada ao processo de mineralização. Observamos também redução de outra enzima (TRAP) associada à reabsorção óssea”, diz.

As ratas que receberam ocitocina apresentaram ossos mais densos. “Verificamos que a região do colo do fêmur estava mais resistente, com menor porosidade, melhor resposta biomecânica de compressão, além de apresentar propriedades físico-químicas que garantiam maior densidade”, diz.

De acordo com a Unesp, a ocitocina é um hormônio produzido no hipotálamo cerebral e foi caracterizada no início do século passado tendo sua liberação associada, sobretudo, ao parto e à amamentação.

Estudos mais recentes mostraram que um número grande de células (além das hipotalâmicas) também secretam o hormônio.

“A ocitocina é secretada por células ósseas e nossos estudos estão evidenciando sua associação com o metabolismo ósseo de fêmeas durante o processo de envelhecimento. Geralmente, mulheres no período pós-menopausa, com maior índice de osteoporose, apresentam concentrações mais baixas de ocitocina no plasma sanguíneo”, diz Rita.

O grupo de pesquisadores da Unesp trabalha há 10 anos em estudos sobre o envolvimento da ocitocina no metabolismo ósseo. “Nesse tempo conseguimos caracterizar modelos animais que simulam o período da perimenopausa na mulher”, diz.

FONTE: Informações | g1.globo.com