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Hormônio biotecnológico reduz custos de induzir ovulação em rebanhos

Publicado em 13 julho 2017

A startup Kimera, de Ribeirão Preto, produziu a primeira versão biotecnológica do hormônio gonadotrofina coriônica equina (eCG), amplamente usado para induzir e sincronizar o cio em bovinos e suínos, com o objetivo de otimizar os resultados da inseminação artificial nesses rebanhos.

Já testado em ambas as espécies, o novo eCG recombinante (ou r-eCG) mostrou-se tão eficaz como o tradicional, com a vantagem de ter um custo de produção entre 30% e 50% menor, segundo a empresa, e ainda eliminar o polêmico uso de éguas prenhas na produção do hormônio. É que o eCG tradicional, desde que começou a ser empregado na reprodução de rebanhos, há mais de três décadas, é obtido a partir do sangue de éguas prenhas, resultando com frequência em maus-tratos, abortos recorrentes e morte prematura desses animais.

“O hormônio da Kimera é totalmente produzido em laboratório sem a necessidade de extração de sangue das éguas ou de qualquer outro animal e a um custo bem menor”, explica Camillo Del Cistia Andrade, doutor em genética pela Universidade de São Paulo (USP), coordenador da pesquisa e sócio-fundador da Kimera.

A demanda pelo eCG aumenta à medida que se amplia o uso da inseminação artificial como ferramenta básica para acelerar o melhoramento genético e o aumento da produtividade dos rebanhos. Afinal, o sucesso do procedimento depende de prever o momento de ovulação das fêmeas. Além disso, poder inocular muitos indivíduos ou o rebanho de uma vez reduz os custos da inseminação e permite sincronizar as outras etapas da produção, otimizando todo o processo produtivo.

Hoje, pecuaristas de todos os portes usam a inseminação artificial e cada vez mais lançam mão de hormônios reprodutivos para sincronizar o cio dos animais. Em 2010, a técnica, conhecida por Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), já representava metade dos protocolos de inseminações artificiais realizadas no país.

Transferência de tecnologia

A Kimera foi criada em 2014, com o apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP, e cresceu incubada no Supera – Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, com o objetivo de desenvolver o eCG recombinante e produtos similares para repassar essas tecnologias às empresas.

A produção do eCG em laboratório foi possível porque Andrade conseguiu clonar o gene responsável pela produção de eCG e inseri-lo em células cultivadas que se encarregam de produzir o hormônio, que posteriormente é purificado. Com o apoio da FAPESP, a empresa desenvolveu um processo biotecnológico inovador, cujo patenteamento já foi solicitado em regime de cotitularidade com a USP.

“Buscamos um parceiro privado para a fase final necessária para a obtenção do registro do produto junto ao Ministério da Agricultura, que é a construção de uma planta-piloto com capacidade de atender ao menos 10% do mercado nacional”, explica Camillo Del Cistia Andrade.

Segundo ele, embora uma planta de produção de moléculas recombinantes tenha especificidades, também tem muito em comum com boa parte da infraestrutura que laboratórios de grandes empresas já possuem. “A parceria aceleraria a entrada do produto no mercado, o que é do interesse de todos porque se trata de um produto inovador, com elevado potencial de inserção nacional e global, tanto pelos seus custos menores como porque atende à demanda global por mais ética e sustentabilidade na produção desses hormônios para reprodução animal”. Enquanto conclui esse projeto de pesquisa, sua equipe já está estudando a possibilidade de trabalhar com o desenvolvimento de novos hormônios e vacinas recombinantes.

(Texto: Assessoria de Imprensa Fapesp)

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