Notícia

Boletim do Acadêmico

Horizontes ampliados

Publicado em 26 abril 2006

Projeto Genoma Clínico do Câncer coordenado pelo Acadêmico Marco Antônio Zago revela como a prática da epidemiologia mudou nos últimos anos.

Integração de muitos profissionais e a necessidade de trabalhar com bancos de dados volumosos. Esse cenário é bastante recente dentro da prática da epidemiologia, conforme mostra estudo publicado na edição atual do Brazilian Journal of Medical and Biological Research.
A prática da disciplina tem sido profundamente influenciada pelos novos conhecimentos gerados pela biologia molecular e pelo seqüenciamento do genoma humano. Antes dessas mudanças, o cenário da epidemiologia era bastante diferente: a organização se dava em grupos pequenos de pesquisa, que trabalhavam com conjuntos populacionais reduzidos, e as bases de dados eram limitadas do ponto de vista das informações ambientais e do estilo de vida das pessoas.
O exemplo prático que ilustra bem essa transformação na prática dos estudos epidemiológicos, segundo os autores do estudo, é o Projeto Genoma Clínico do Câncer, financiado pela FAPESP e pelo Instituto Ludwig. Esse trabalho, que antes de ser encerrado originou outros dois grandes projetos que estão em andamento, teve início em 2002.
Sob coordenação do Acadêmico Marco Antonio Zago, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e um dos autores do artigo, o Genoma Clínico, desdobramento do Projeto Genoma do Câncer, analisou o comportamento de 20 mil genes humanos em tecidos sadios e em nove diferentes tipos de tumores.
Embora a informática seja uma ferramenta essencial, é necessário manter a qualidade dos dados. As informações precisam ser corretas e consistentes para que os resultados sejam confiáveis e válidos para propostas de prevenção e tratamento. A partir dessa premissa, e com os enormes bancos de dados gerados pelo Genoma Câncer, os cientistas decidiram fazer uma espécie de controle de qualidade das informações que estavam disponíveis para a comunidade científica.
Eles analisaram 1.749 casos de câncer registrados entre 2002 e 2004. Outros 1.509 registros, que pertencem ao grupo controle, foram também considerados. Ao todo, foram reavaliados os preenchimentos de 3.639 campos de entrada.
A conclusão foi de que apenas 1,7% dos registros tinham algum tipo de inconsistência. Uma das partes da avaliação foi fazer com que um analista externo recolocasse as informações na rede a partir das planilhas originais, escritas no momento da entrevista com os pacientes que participaram do Genoma Clínico.
A transformação com qualidade, entretanto, não está garantida para sempre. Apesar de a internet facilitar a comunicação entre um número grande de grupos, e permitir maior velocidade de análise, a constante reavaliação dos dados é algo que precisa ser sempre feito, segundo a pesquisa. "Para uma equipe de epidemiologia, a preocupação com a qualidade dos dados deve ser permanente", diz Wünsch-Filho.
Para ler o artigo Epidemiological studies in the information and genomics era: experience of the Clinical Genome of Cancer Project in São Paulo, Brazil, disponível na biblioteca virtual SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.