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O Estado do Maranhão online

Homicídios e violência policial

Publicado em 01 dezembro 2008

Por Mario Eugenio Saturno

Um estudo realizado por pesquisadores do Centro de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fapesp, também conhecido como Núcleo de Estudos da Violência (NEV), constatou a existência de uma relação entre taxas de mortalidade por homicídios, violência policial e indicadores socioeconômicos e demográficos.

O estudo denominado “Homicídios, desenvolvimento socioeconômico e violência policial no Município de São Paulo” foi conduzido pelos pesquisadores Maria Fernanda Tourinho Peres, Nancy Cárdia, Paulo de Mesquita Neto, Patrícia Carla dos Santos e Sérgio Adorno e publicado na Revista Panamericana de Salud Pública.

Muitos estudos já tentaram explicar o crescimento e a distribuição desigual da violência no Brasil. A desigualdade social e a pobreza, a ineficácia das instituições da lei e da ordem e a característica autoritária da democracia brasileira podem ser consideradas as principais causa da violência no País .

Muitos estudos tentam analisar a relação entre a pobreza, a desigualdade e a violência, mas os resultados são inconsistentes e até discordantes. Neste trabalho, os pesquisadores utilizaram metodologias para evitar a confusão, confirmando a existência de associação entre a mortalidade por homicídio e os baixos níveis de desenvolvimento socioeconômico e ainda observaram a associação entre o número de vítimas fatais de violência policial e a mortalidade por homicídios. Nessas áreas são as que apresentavam piores indicadores de desenvolvimento socioeconômico.

Uma série de estudos indica que não é a pobreza que explica as altas taxas de homicídio, mas a combinação de desvantagens sociais como aquela que resulta da atuação dos agentes do Estado em tais comunidades. Por isso são pouco atraentes como local de trabalho para os agentes públicos, visto mesmo como “punição”. Essa baixa atratividade se reflete nos altos índices de falta do serviço e de rotatividade de pessoal.

Cabe ressaltar que a polícia exerce um papel particular na definição da auto-imagem da população, no respeito às leis. Nos locais violentos, falta polícia, que quando atua, age com violência equivalente. Isso tudo pode reforçar nas populações desses locais não só uma baixa auto-estima, mas também a idéia de que a vida humana tem pouco valor, favorecendo ainda mais violência.

A única solução passa pelos governos através de políticas públicas que rompam esse círculo perverso de rotatividade de pessoal e de desvinculação da população local, aumentando a não só a quantidade de serviços, mas também a qualidade dos mesmos. Assim, deve-se ter um policiamento intensivo e preventivo para ser menos violento. Talvez uma parceria entre prefeito, governador e presidente contratando profissionais para atuar somente em áreas de risco, criar polpudas gratificações enquanto durar o risco etc.

 

Mario Eugenio Saturno: tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor universitário e congregado mariano

E-mail: mariosaturno@uol.com.br