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Homem jovem tem chance 42% maior de fazer ultrapassagem perigosa que motorista mais velho e mulher

Publicado em 10 dezembro 2020

Um estudo realizado na Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP) revelou que homens de 18 a 25 anos têm probabilidade 42% maior de se arriscarem em manobras de ultrapassagem em pista simples, considerado o trecho mais perigoso das rodovias, do que homens mais velhos e mulheres. O número corrobora os registros nacionais de trânsito, que mostram que jovens e adultos do sexo masculino são a grande maioria das vítimas fatais de colisão frontal.

O trabalho foi desenvolvido no Departamento de Engenharia de Transportes da Escola de Engenharia, sob coordenação da professora Ana Paula Camargo Larocca, e teve o apoio da Fapesp. Para elaborar a pesquisa, os cientistas convidaram cem voluntários de todas as faixas etárias e com habilitação para participar de experimentos em um simulador de direção capaz de reproduzir virtualmente qualquer tipo de rodovia de forma realista.

Campanhas de conscientização

Segundo o Datatran, banco de dados da Polícia Rodoviária Federal, 94% dos condutores envolvidos anualmente em acidentes de colisão frontal no Brasil são homens. Entre 2008 e 2018, foram 15 mil mortes, sendo que motoristas entre 20 e 50 anos são os que mais aparecem nas tragédias. No mesmo período, ocorreram ao todo no país 1,5 milhão de acidentes em rodovias federais e, embora as colisões frontais representem apenas 3,2% do total, elas são responsáveis por 31% das mortes: em dez anos, foram 25 mil óbitos registrados, além de 17 mil feridos graves e 25 mil feridos leves.

A pesquisa da USP também demonstrou que homens de 25 a 35 anos têm 36% mais chances de se arriscarem em ultrapassagens em pista simples do que homens mais velhos e mulheres. De acordo com a pesquisadora, esses resultados podem colaborar para a criação de campanhas de conscientização, de estímulo ao bom comportamento e de percepção de risco voltadas a esse público. Outras possíveis ações são a instalação de novas placas, estabelecimento de normas técnicas, obras de infraestrutura ou até, em último caso, a total reformulação da geometria da rodovia.

No estudo, que faz parte da tese de doutorado de Aurenice da Cruz Figueira, os pesquisadores também investigaram os fatores que influenciam as ultrapassagens em rodovias de pista simples, com foco nos efeitos que a velocidade e o modelo do veículo que está à frente podem gerar. Os resultados mostraram que, em média, quando o motorista da frente estava a uma velocidade de 60 quilômetros por hora (km/h), quem vinha atrás já demonstrava a intenção de ultrapassá-lo, começando a realizar algumas manobras laterais. Se o veículo da frente era um caminhão, as tentativas de ultrapassagem eram mais frequentes. Em todos os resultados, os homens se mostraram mais dispostos a se arriscar, mesmo que os veículos da frente estivessem acima dos 60 km/h.

Fonte: Terra