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Holandeses e brasileiros discutem estratégias de inovação para o esporte

Publicado em 28 março 2016

A cinco meses dos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio foi palco de um dia de intensos debates sobre a importância da inovação tecnológica para o esporte, entre pesquisadores holandeses e brasileiros, realizados no dia 21 de março, na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Centro. No workshop Science on Sports, Health and Movement, eles compartilharam suas experiências nos dois países e deram o primeiro passo para o estabelecimento de colaborações futuras.

 

 

Para o cônsul-geral da Holanda, Arjen Uijterlinde, é preciso orquestrar uma visão ampla de modelos de inovação em esporte, que incluam não apenas os atletas de ponta, mas a população em geral.

 

 

– É muito importante trocar experiências e ter condições de elaborar projetos juntos, entre Brasil e Holanda. Já existem laços que ligam pesquisadores de ambos os países, a partir de iniciativas individuais, mas é importante criar estratégias de articulação mais integradas e agregadoras, para beneficiar não só o esporte de alto rendimento, mas a saúde de toda a sociedade – afirmou.

 

 

O professor Aarnout Brombacher, da Universidade de Eindhoven, apresentou um panorama histórico da cultura da inovação holandesa na área de esportes.

 

 

– Na Holanda, podemos dizer que há três fases diferentes na história do desenvolvimento da inovação em esportes. Nos anos 1960, havia muita pesquisa sobre disciplina tática, com base em conceitos da filosofia e da sociologia. No time de futebol holandês, por exemplo, o objetivo era como formar e motivar um time com jogadores talentosos. Nos anos 1990, tivemos um forte avanço na ciência dos materiais, com roupas desenvolvidas em tecidos especiais, como aquelas utilizadas para a prática de speed skating e de natação. Atualmente, há um grande esforço para o desenvolvimento de equipamentos digitais integrados aos corpos dos esportistas e do uso da computação de dados para aprimorar o desempenho dos atletas – resumiu.

 

 

A diretora de Tecnologia da FAPERJ, Eliete Bouskela, destacou que a Fundação já vem fomentando diversos projetos na área de inovação em esportes.

 

 

– Desde a realização da Copa do Mundo, em 2014, houve um fortalecimento de editais e programas da Fundação destinados a apoiar os esportes. É muito importante que haja continuidade no fomento desses projetos após os Jogos Olímpicos – disse.

 

 

Entre os projetos financiados pela Fundação na área, ela citou alguns, como o Juçaí – bebida energética obtida a partir da palmeira juçara, que lembra o sabor da fruta açaí, e produzida no município de Resende, sob a coordenação do empreendedor e economista Georges Braile –; a escolinha de futebol Pé de Moleque, voltada para a educação esportiva de crianças e adolescentes no município de Cordeiro, na Região Serrana fluminense, e dirigida por Mayckel de Andrade; e o projeto científico de avaliação do estresse oxidativo de atletas por meio da identificação de biomarcadores na saliva, da professora Verônica Salerno Pinto e do pesquisador Diego Gomes, do Departamento de Biociências da Atividade Física, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que foi contemplado pelo edital Apoio ao Desenvolvimento de Inovações no Esporte.

 

 

Para o assessor da Diretoria de Tecnologia da FAPERJ, Antonio Paes de Carvalho, esse é o desafio brasileiro.

 

 

– Nossa meta é criar um ambiente favorável para conectar a ciência com a indústria, com a transferência de novas ideias e novas tecnologias por spin-offs – ponderou.

 

 

– A troca de experiências que está ocorrendo neste seminário é fundamental para este avanço nas políticas públicas. Acredito que esse encontro vai resultar em uma grande colaboração, por meio de parcerias em joint-venture – completou Paes de Carvalho, que é presidente da empresa Extracta e professor titular do Instituto de Biofísica, do Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

 

Por sua vez, o pesquisador e professor Antônio Cláudio da Nóbrega, do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense (UFF), lembrou que o esporte deve ser compreendido como parte de um conceito mais amplo, o de exercícios físicos.

 

 

– Esporte é para atletas, enquanto que exercícios físicos incluem a população em geral, não atleta, mas que precisa cuidar da saúde – analisou.

 

 

No Rio, o evento foi organizado pela FAPERJ e pela Netherlands Organisation for Scientific Research (NWO) – a principal agência holandesa de fomento à ciência, tecnologia e inovação –, com apoio do Consulado da Holanda no Rio e da ABC.

 

Depois da visita ao Rio, o grupo de pesquisadores e gestores holandeses seguiu para São Paulo, onde participa do seminário “Esporte e Vida Saudável”, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Nessa mesma semana, a Orange Sports Forum (OSF – plataforma de empresas holandesas ligadas ao esporte e à inovação nessa área) também realiza uma missão exploratória no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo.