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Terra da Gente

Hoje apenas 7,5% da Caatinga está protegida no País

Publicado em 25 junho 2013

Um alerta foi feito pelo biólogo Bráulio Almeida Santos, do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da Universidade Federal da Paraíba (CCEN/UFPB), durante 5º Encontro do Ciclo de Conferências 2013 do BIOTA Educação, na última quinta-feira. Segundo ele, a Caatinga é considerada como o bioma brasileiro mais sensível à interferência humana e às mudanças climáticas globais. Apesar disso, apenas 7,5% de seu território está protegido em Unidades de Conservação (UCs) e apenas 1,4% dessas reservas são áreas de proteção integral.

Santos afirma que a região Nordeste tem 364 reservas registradas no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC). Mas apenas 113 (ou 31%) têm como objetivo proteger a Caatinga, embora o bioma seja predominante em todo o semiárido brasileiro.

Ainda segundo o levantamento feito pelo biólogo, quase metade das 113 UCs no bioma são particulares e apenas 9% têm plano de manejo. Na avaliação de Santos, a situação reflete a ideia errônea (porém disseminada durante muito tempo) de que a Caatinga seja um bioma pobre, homogêneo e no qual não há "quase nada a ser preservado".

As espécies da Caatinga ainda são pouco conhecidas. Cerca de 41% do bioma nunca foi amostrado. Até o momento, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, foram descritas na região 932 espécies de plantas, 241 de peixes, 79 de anfíbios, 177 de répteis, 591 de aves, 178 de mamíferos e 221 de abelhas. No caso da flora, mais de 30% das espécies descritas são endêmicas, ou seja, não ocorrem em nenhuma outra região do mundo.

O índice de endemismo chega a 57% no caso dos peixes, 37% no caso de lagartos, 12% dos anfíbios e 7% das aves, segundo dados apresentados por Adrian Antonio Garda, do Centro de Biociências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CB/UFRN).

Garda afirma que o número de espécies descritas pode parecer pequeno se comparado com o número registrado em outros biomas brasileiros. Mas deve-se levar em conta a biodiversidade e condições climáticas de cada lugar. Ao comparar a Caatinga com as regiões desérticas mais bem estudadas da América, é possível constatar que o bioma apresenta mais do que o dobro do número de espécies e com altos níveis de endemismo.

Na avaliação de Santos, falta massa crítica dentro das universidades e de institutos de pesquisa locais para ampliar esse conhecimento e difundi-lo entre os formuladores de políticas públicas. Para ele, é preciso levar as informações ao gestor, mas falta de vontade política e de lideranças comprometidas com o uso racional da Caatinga.

Segundo o biólogo, também seria preciso reverter a perda de hábitat na Caatinga. No entanto, a tarefa não é simples, já que a escassez de água na região dificulta a fotossíntese e faz com que o bioma apresente uma resistência muito pequena à interferência humana.

O principal fator de degradação da Caatinga hoje é, segundo Santos, o desmatamento praticado para obtenção de lenha e de carvão vegetal. Cerca de um terço da lenha cortada é para uso residencial. A maior parte do carvão vai para siderúrgicas e para os polos de gesso e cerâmica do Nordeste. Outra importante ameaça, por mais contraditório que pareça, é o uso excessivo de água para irrigação agrícola.

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Terra da Gente, com info Agência Fapesp