Notícia

Jornal do Brasil

História e política de forma superficial

Publicado em 16 outubro 1999

Por NAYSE LÓPEZ
Dois lançamentos na área de dança, fruto de duas pesquisas diferentes, com acertos e defeitos parecidos chegam ao mercado. História da dança, de Eliana Caminada, e Dança e mundialização, de Cássia Navas. As duas pesquisadoras, sendo a primeira ex-bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, mostram esforço e dedicação na compilação de fontes e referências. Mas ambas consideram suficiente apenas reunir informações já existentes e não investem e nenhum novo aspecto do fazer a dança. Não que os livros se proponham a levantar uma discussão teórica. Mas mesmo nas áreas de trabalho escolhidas - história e políticas culturais, respectivamente - as duas pesquisas servem apenas como referência básica. História da dança tem o mérito de reunir várias imagens importantes da dança brasileira, mas pouco avança sobre a história das companhias ou artistas. Como guia de referência, serve para ter uma idéia imediata da presença de gente como Consuelo Rios ou Gilberto Morta, freqüentemente eclipsados por grande nomes como Dalal Achcar. Tataiana Leskova e Klauss Vianna. Mas o livro é, de fato, uma colagem de verbetes, sem qualquer diferencial - talvez só para menos - dos anteriores História da dança no Brasil, de Maribel Portinari, e o Dicionário de Bale e Dança, de Antônio José Faro e Luiz Paulo Sampaio. Nem a atualização dos dados é uma preocupação, uma vez que eventos como a Bienal de Dança de Lyon, de enorme importância para a consolidação de várias companhias, merece apenas citações gerais. Para um trabalho tão ambicioso - o título o deixa claro - falta informação. A mesma Bienal de Lyon foi o estopim da pesquisadora paulista Cássia Navas em Dança e mundialização. Poética ou ironicamente chamada Aquarela do Brasil, a edição do evento em 1996 serviu, segundo a análise de Navas, como um rito de passagem em termos de nacionalismo na dança. Mas a principal preocupação de Cássia é a comparação entre as estruturas criadas para o fomento da dança nos anos 80 na França e suas possibilidades no Brasil. O trabalho, fruto também de um estágio feito pela autora na França, traz novos dados sobre políticas culturais e apresenta alguns resultados. Mas também avança pouco nas questões que explora, servindo como uma referência a mais para gestores e produtores culturais. HISTÓRIA DA DANÇA: Eliana Caminada Sprint. 482 páginas R$98 DANÇA E MUNDIALIZAÇÃO: Cássia Navas - Hucitec/Fapesp, 135 páginas R$ 15 Nayse López é editora do Idéias