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Terra da Gente

História da Mata Atlântica será repassada por cientistas

Publicado em 14 outubro 2013

O projeto de uma equipe internacional de cientistas desenvolverá, ao longo de cinco anos, uma ampla pesquisa multidisciplinar para analisar a distribuição de animais e vegetais na Mata Atlântica brasileira nos últimos 120 mil anos. Os pesquisadores estudarão o comportamento desses seres de acordo com as alterações ocorridas no bioma. Essa compreensão poderá contribuir para a preservação das espécies em meio às mudanças climáticas atuais.

O projeto, coordenado por Ana Carnaval, do City College of New York, Estados Unidos, e Cristina Miyaki, da Universidade de São Paulo, tem financiamento da Fapesp e da National Science Foundation (NSF), e foi selecionado na segunda chamada de propostas de projetos de cooperação científica por meio dos programas Biota-Fapesp e Dimensions of Biodiversity - NSF.

A iniciativa, que tem também apoio da Nasa, a agência espacial norte-americana, conta com cientistas de diversas outras instituições, como a State University of New York, o New York Botanical Garden, o American Museum of Natural History, a University of California Santa Cruz, a University of North Carolina, o Institut de Recherche pour le Developpement (France) e a Australian National University.

Alterações

No período pré-Colombiano, a Mata Atlântica brasileira tinha cerca de 3 mil quilômetros de extensão e formava uma cadeia de florestas contida entre o Oceano Atlântico e as áreas mais secas e mais elevadas no território.

Desde então, estima-se que a floresta tenha se reduzido a 11% de sua área. Apesar da devastação, a Mata Atlântica ainda contém fragmentos com algumas das mais elevadas concentrações de espécies nativas, que não são encontradas em nenhum outro local no planeta.

Os pesquisadores testarão hipóteses para reconstruir cenários de mudanças climáticas no passado. Serão utilizados modelos climatológicos baseados no que se conhece atualmente sobre os ciclos terrestres, além de informações de registros fósseis e de inferências de níveis antigos de umidade com base na geoquímica de depósitos encontrados em cavernas. Dados genéticos de populações atuais serão empregados para compreender como as espécies da Mata Atlântica reagiram a tais alterações.

Mudanças climáticas

Ao relacionar dados da distribuição atual de espécies com dados ambientais de análises climatológicas, os cientistas pretendem caracterizar os ambientes onde ocorrem determinadas espécies. Segundo Ana Carnaval, do City College of New York, a pesquisa poderá fornecer pistas de como animais e plantas responderão às rápidas mudanças ambientais antropogênicas esperadas para os próximos 50 a 100 anos.

Com os resultados da pesquisa, será possível estimar a ocorrência de espécies e sua distribuição em resposta a diferentes cenários de mudanças climáticas e ambientais. Isso poderá ajudar a identificar, por exemplo, espécies mais prováveis de se tornarem ameaçadas ou áreas com maior necessidade de proteção ou de pesquisa.

Confira a íntegra da matéria na Agência Fapesp.