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Hipertensão na gravidez aumenta risco também após o parto

Publicado em 28 agosto 2009

As mulheres que desenvolvem hipertensão durante a gravidez devem passar por uma avaliação seis meses após o parto. A recomendação consta das novas diretrizes sobre cardiopatia na gravidez, que acabam de ser elaboradas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

A orientação se baseia em pesquisas que mostram que mulheres com pré-eclâmpsia (uma das complicações hipertensivas da gestação, que pode levar ao parto prematuro e à morte da mãe) têm um risco quatro vezes maior de desenvolver hipertensão arterial crônica e quase duas vezes mais chance de ter doença arterial coronariana, derrame e tromboembolismo venoso num intervalo de até 14 anos após a gestação. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que o problema terminava com o parto.

"A maioria dos cardiologistas e dos obstetras ainda desconhece que essa complicação gestacional aumenta o risco de doença cardiovascular precoce nessas mulheres", diz a cardiologista Citânia Tedoldi, editora das novas diretrizes. "A hipertensão na gravidez pode induzir alterações a longo prazo que estão associadas ao aumento desse risco", explica.

Por isso, esse grupo de pacientes deve ter seu perfil de risco cardiovascular avaliado, incluindo seus hábitos de vida, seis meses depois do parto e começar a adotar medidas preventivas o quanto antes.

"O acompanhamento deve ser não só no pós-parto como ao longo da vida da mulher, com exames rastreadores e diagnóstico dos distúrbios hipertensivos", diz o ginecologista Denis Nascimento, da Universidade Federal do Paraná.

"Essas mulheres precisam adotar mudanças no estilo de vida recomendadas aos hipertensos, como controle do consumo de sal e do peso e adoção da prática de atividade física moderada, como caminhada", acrescenta o cardiologista Ivan Cordovil, chefe do Departamento de Hipertensão do Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio de Janeiro.

Ainda não se sabe o que desencadeia as complicações hipertensivas na gravidez em mulheres saudáveis. Algumas apresentam somente elevação da pressão.

Já a pré-eclâmpsia é uma complicação grave, que traz risco de morte à mulher. Além da hipertensão, ocorre perda de proteínas na urina e inchaço. O risco de pré-eclâmpsia é maior na primeira gestação, em obesas, nas diabéticas e em quem tem história familiar.

O documento com as novas diretrizes, que deve ser publicado em breve, também traz uma atualização completa de todos os aspectos da cardiologia na mulher. "Queremos orientar sobre os tratamentos mais adequados de acordo com as últimas evidências científicas", diz Tedoldi.

As doenças do coração são consideradas a maior causa de morte materna indireta -ou seja, aquelas que não são provocadas por causas obstétricas, como hemorragias e infecções.

Obesidade eleva as chances de Alzheimer, afirma pesquisa

Além dos riscos de doenças cardíacas, a obesidade também aumenta as chances de desenvolver mal de Alzheimer, de acordo com um estudo de duas universidades sobre o problema.

A revista especializada "Human Brain Mapping" traz hoje os resultados da pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA) e da Universidade de Pittsburgh, que descobriu que as pessoas obesas de idade avançada tinham em média 8% menos tecido cerebral que as com peso normal.

Da mesma forma, os adultos mais velhos e com sobrepeso tiveram 4% menos tecido cerebral que os com um peso adequado. "Isso é uma grande perda de tecido, que diminui as reservas cognoscitivas pondo (os afetados) em um risco muito maior de (contrair) Alzheimer e outras doenças que atacam o cérebro", afirmou Paul Thompson, professor de neurologia da Ucla e diretor do estudo.

Cerca de 70% dos latinos adultos da Califórnia apresentaram sobrepeso ou eram obesos em 2005, segundo dados do Departamento Estadual de Serviços de Saúde, o que, de acordo com a pesquisa de UCLA-Pittsburgh, os deixa com maior risco de sofrer demência senil.

O estudo utilizou imagens cerebrais de uma pesquisa anterior e selecionou testes de 94 idosos dentre 70 e 80 anos que eram saudáveis cinco anos após terem sido feitas as imagens do cérebro.

Para determinar a obesidade ou o sobrepeso foi utilizado o Índice de Massa Corporal (IMC) -que calcula a gordura corporal pela relação entre peso e altura - e aponta com peso normal as pessoas entre 18,5 e 25.

As pessoas com IMC entre 25 e 30 são qualificadas com acima do peso, enquanto as que apresentam mais de 30 IMC são consideradas obesas.

Ao analisar tanto a "matéria cinza" como a "matéria branca" refletidas nas imagens cerebrais, os cientistas observaram que as pessoas obesas tinham menos tecido cerebral nos lóbulos frontais frontal e temporal, áreas do cérebro essenciais para o planejamento e a memória.

Elas apresentavam menos massa na parte anterior da circunvolução cingulada, área da parte média do cérebro -conhecida comumente como cíngulo- ligada à funções de atenção e execução.

As imagens também mostravam alterações no hipocampo - situado no lóbulo temporal e relacionado com a memória a longo prazo - e os gânglios basais, que se relacionam com a função do movimento.

Praticar exercícios ajuda na recuperação de derrame cerebral

Praticantes de exercícios físicos se recuperam mais rapidamente de um acidente vascular cerebral (AVC) do que os sedentários. Essa é a conclusão de um estudo apresentado pelos pesquisadores do campus de Jacksonville da Clínica Mayo, nos Estados Unidos. O experimento publicado no Jornal de Neurologia, Neurocirurgia & Psiquiatria, revela que pacientes que se exercitavam com frequência antes de sofrerem um AVC, tiveram sequelas menos graves. O neurologista James Meschia, um dos pesquisadores, afirma que a atividade física pode ser muito benéfica para as pessoas que têm maior risco de sofrer um AVC. "Muitos estudos têm mostrado isso; a novidade é que se uma pessoa com o hábito de se movimentar, sofrer esse acidente cerebral, as consequências podem ser mais leves", afirma. Esse experimento, projetado para examinar fatores de risco hereditários, é um dos primeiros a testar a hipótese de que os benefícios do exercício se estendem além da prevenção do problema.

Em todo o mundo, o AVC é uma causa comum de incapacidade e morte, entre pessoas com mais de 65 anos. No Brasil são registradas mais de 100 mil mortes por ano. Já nos Estados Unidos, o problema é responsável por mais de 780 mil, sendo a terceira maior causa de óbitos.

Dieta pode aumentar aterosclerose

Uma pesquisa, realizada nos Estados Unidos, mostrou que camundongos submetidos a dieta com pouco carboidrato e muita proteína apresentaram, após o período de 12 meses, um elevado aumento da aterosclerose, um processo inflamatório caracterizado pela formação de placas de gordura na parede das artérias, uma das principais causas de enfarte e derrames. As informações são da Agência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O conhecimento sobre o assunto é uma notícia ruim para quem é adepto de dietas com pouco carboidrato e bastante proteína, pois não se sabe exatamente seus efeitos em relação à saúde vascular.