Notícia

Bioetanol

Hidrólise enzimática: um desafio para a ciência

Publicado em 25 novembro 2011

A hidrólise enzimática de biomassa desafia pesquisadores em todo o mundo. No Brasil, a resposta a esse desafio contribuirá de maneira decisiva para a produção economicamente sustentável do etanol de 2ª geração. O Workshop Second Generation Bioethanol 2011: Enzymatic Hydrolysis, realizado nos dias 24 e 25 novembro no Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), em Campinas (SP), reuniu especialistas estrangeiros e brasileiros para analisar o estado da arte das pesquisas sobre hidrólise e identificar o que ainda precisa ser feito em ciência básica para criar rotas eficientes de hidrólise em escala industrial.

Bernard Henrissat, do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) da França, por exemplo, alertou para o fato de o sequenciamento de genes estar aumentando exponencialmente, enquanto a caracterização bioquímica das enzimas anda em ritmo menos acelerado. Henrissat, fundador e administrador do CAZy (Carbohydrate-Active enZYmes), um dos principais bancos de dados sobre hidrolases (genes, proteínas e estruturas de proteínas) do mundo, desafiou a ciência - e os cientistas - a buscar melhor compreensão da bioquímica das enzimas de hidrólise.

Outra estratégia interessante de pesquisa está na metagenômica, relacionada à busca de enzimas em microorganismos. Utilizando essa técnica, Rolf Prade, da Oklahoma State University, e Fabio Squina, do CTBE, analisaram a biologia de fungos e as formas de interação com a biomassa.

Paul Dupree, da Universidade de Cambridge, apresentou alguns resultados de sua pesquisa que envolve a modificação da parede celular no interior da planta. O cientista utiliza como modelo o Arabdopsis, da família das mostardas. A técnica ainda não foi testada em gramíneas ou na cana-de-açúcar. "As suas descobertas, no entanto, poderão nos ajudar no longo prazo", afirmou Marcos Buckeridge, diretor científico do CTBE e coordenador do evento.

De acordo com Buckeridge, a informações guardadas na estrutura química da parede celular têm o mesmo grau de importância das informações sobre a complexidade das proteínas das enzimas que hidrolisam a parede celular. "E isso precisa ser melhor avaliado", recomendou. No caso da cana, especificamente, as análises podem revelar, inclusive, encaminhamentos favoráveis para as pesquisas. A folha e o colmo - insumos para o etanol de 2ª geração - têm estruturas muito parecidas, o que, segundo ele, sugere que talvez não seja necessário analisar dois complexos enzimáticos diferentes.

Os debates do primeiro dia contemplaram, ainda, as interações entre enzimas hidrolíticas e polissacarídeos estruturais da parede celular de plantas e as relações entre estrutura e função de enzimas.

No dia 25, segundo dia do encontro, as apresentações terão como foco as pesquisas realizadas na Inglaterra e no Brasil. Esta é a segunda edição do evento, que tem apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa - Organização de Reunião Científica e/ou Tecnológica.