Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Hepatite C é agravada por diversidade viral

Publicado em 01 fevereiro 2005

Além da alta prevalência do vírus da hepatite C entre os brasileiros, a falta de sintomas em grande parte dos casos é um outro obstáculo para a identificação dessas infecções. Agora, conforme mostra um estudo publicado no "Brazilian Journal of Medical and Biological Research" de janeiro, mais um fator complicador pode ter surgido: a grande diversidade viral no País.
"Descrevemos neste artigo que a distribuição dos genótipos varia muito entre as diferentes regiões brasileiras", diz João Renato Pinho, do Instituto Adolfo Lutz de São Paulo, um dos autores principais do trabalho. A avaliação feita com o material genético de 1.688 pacientes revelou a existência de algumas prevalências em determinas áreas do País. Na região Norte apareceu mais o genótipo tipo 1, enquanto o Centro-Oeste registrou mais o do tipo 2 e o Sul o de tipo 3.
Em todo o país, a tabela de freqüência dos genótipos mostra que o tipo 1 é o mais encontrado, com 64,9% de ocorrência. Na seqüência aparecem o tipo 3 (30,2%) e o tipo 2 (4,6%). Os genótipos dos tipos 4 e 5 foram encontrados em poucos casos. Até hoje, em todo o mundo, onde existem 170 milhões de pessoas contaminadas com o vírus da hepatite C, seis grandes tipos de genótipos foram detectados. O tipo 1 e o tipo 4, em alguns casos, são menos fortes que os demais.
"Em particular, chama a atenção no caso do Brasil a elevada freqüência do genótipo 3 na região Sul, o que deve refletir o importante componente genético trazido pelos imigrantes de países como Itália, Alemanha e da região do Leste Europeu", disse Pinho.

Imigrantes
Como a distribuição encontrada no Brasil é muito semelhante à da Europa, os pesquisadores trabalham com a hipótese de que a infecção pelo vírus da hepatite C no País se espalhou recentemente, depois da chegada das grandes ondas de imigrantes.
"Isso confirma dados internacionais que associam a alta freqüência dessa infecção com o uso de transfusões de sangue e de outros hemoderivados até antes de 1991", explica Pinho. Segundo estimativas dos pesquisadores, no Brasil a hepatite C deve estar presente entre 0,8% e 3,4% da população. "Isso faz com que pelo menos 1,3 milhão de brasileiros possam ser acometidos pela doença", conta o cientista.
Como a hepatite C é uma doença assintomática, na opinião do pesquisador do Instituto Adolfo Lutz o quadro é preocupante. "Entre 5% e 20% dos casos poderão evoluir para cirrose hepática após 20 anos de infecção. E, dentro desse universo, outros 20% podem apresentar carcinoma hepatocelular", afirma. (Agência FAPESP)