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Hemocentro de Ribeirão Preto vai analisar genoma humano

Publicado em 22 maio 2012

Uma das esperanças da medicina para evitar mortes por doenças como câncer é o mapeamento genético, no qual é possível conhecer todos os detalhes da estrutura celular humana. Em Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), agora já é possível desvendar o DNA completo de uma pessoa ou até mesmo de um grão de arroz.

O Hemocentro de Ribeirão Preto, ligado ao Hospital das Clínicas da USP, em parceria com a ONG i2bio e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), inaugurou ontem o Laboratório de Análise de Genoma.

Inicialmente, o laboratório restringirá os trabalhos a pesquisas e desenvolvimento de cursos da USP.

Para o cientista pesquisador Paulo Cezar Almeida, o Hemocentro passa a ser referência na análise de dados. "Certamente estamos falando de um futuro polo de pesquisa para o bem social, afinal, estamos falando de prevenção e combate de doenças."


Coordenado pelo geneticista Wilson Araújo da Silva Júnior, o laboratório custou R$ 2,5 milhões, sendo R$ 1 milhão apenas para compra da máquina HiScan -o equipamento sequencia e processa DNA humano, vegetal e animal. São Paulo, Natal (RN) e Jaboticabal (SP) já contam com tecnologia parecida.

"É possível fazer esse detalhamento em um genoma humano em um ou dois dias", afirma Jorge Estefano Santana de Souza, pesquisador responsável pela implantação do equipamento no novo laboratório.

Segundo Silva Júnior, o laboratório processará genomas de uma instituição de Belém (PA) e de outros centros acadêmicos, inclusive da USP.

"Poderemos saber detalhadamente o tipo de tratamento para determinadas características do indivíduo", afirma Silva Júnior. "Há a possibilidade de uma definição do que o indivíduo sofrerá no futuro, mas esse tipo de trabalho envolve questões éticas para o desenvolvimento", disse.

NOVOS RUMOS

Segundo o geneticista Silva Júnior, a formação de profissionais da área de genética também muda com a implantação do laboratório. "Antes apenas pegávamos o detalhamento do genoma que era feito fora do Brasil. Hoje, podemos acompanhar todo o processo."

O estudante recém-formado em informática biomédica Érico Torrieri, um dos quatro bolsistas beneficiados com o projeto, diz que é uma possibilidade de novos rumos para o profissional formado no país. "Nós poderemos desenvolver um trabalho especializado que até pouco tempo não tinha mercado", disse.

A máquina de R$ 1 milhão também será aproveitada pela Faculdade de Biologia da USP de Ribeirão Preto, que já desenvolve o trabalho em animais e vegetais, porém, sem o mapeamento.