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HCFMRP estrutura programa de intervenção e alívio da dor na infância

Publicado em 25 fevereiro 2009

Agência Fapesp

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) está estruturando a implantação de um programa de identificação, avaliação e intervenção para o alívio da dor na infância. O objetivo é tornar o Hospital uma instituição pioneira no País, o HC Criança sem dor. O projeto é resultado do Programa Colaborativo para o Manejo da Dor em Crianças no Brasil, desenvolvido por um grupo da USP em parceria com Gordon Allen Finley, diretor Médico do Serviço de Pediatria da Dor do IWK Centro de Saúde da Dalhousie University (Canadá).

Em uma de suas visitas ao setor de Pediatria do HCFMRP, Finley propôs a implantação de um projeto colaborativo para fazer de Ribeirão Preto uma referência na área de manejo de dor. O projeto, com apoio do Canadá, visa implantar um programa modelo no HCFMRP e também no atendimento de nível primário e secundário da rede de saúde pública do Município. A parceria é resultado de projeto elaborado pelos médicos e docentes da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, Francisco Eulógio Martinez, José Geraldo Speciali, Carolina Araújo Funayama, Ana Paula Carvalho Panzeri Carlotti e Maria Beatriz Martins Linhares.

O plano de trabalho obteve aprovação de todos os setores envolvidos com o atendimento pediátrico do Hospital. Maria Beatriz Linhares explica que isto envolve de início a execução do Programa Colaborativo, que prevê a implantação de treinamentos e educação profissional, para depois ampliar os horizontes do trabalho que, a exemplo do Hospital Amigo da Criança, projeta também a instituição do HC Criança sem Dor. A proposta do especialista canadense para o manejo da dor, também prevê a transformação do HCFMRP em centro de referência para o tratamento inicial do tema, que pode ter disseminação nacional. O programa também deverá integrar um plano internacional de acreditação hospitalar.

O Programa Colaborativo para o Manejo da Dor em Crianças no Brasil foi contemplado com o apoio municipal e federal, por meio de Cartas de Intenções da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e do Ministério da Saúde. Obteve também a aprovação do coordenador do Projeto HC Criança, professor Hélio Rubens Machado, para o início do trabalho de treinamento dos recursos humanos envolvidos com o atendimento pediátrico. O programa educativo, que deverá ter recursos financeiros advindos da agência de fomento canadense, propõe o intercâmbio de conhecimento, incluindo a realização de cursos de qualificação no Canadá.

Manejo

De acordo com Maria Beatriz Linhares, a partir da implantação do programa, a observação dos quadros de dor na infância e na adolescência terá uma visão mais sistêmica para que as diferentes áreas possam trabalhar a identificação, a avaliação e o manejo. Segundo a professora, há diferentes tipos de dor, que podem estar relacionados à própria enfermidade ou aos procedimentos médicos.

"O ideal do programa é instituir princípios norteadores para a assistência à saúde da criança, que não provoque sofrimento excedente àquele decorrente do acometimento da doença", ressalta. "A avaliação da dor deverá ser sucedida pelo manejo que pode ser farmacológico ou baseado em intervenções não farmacológicas". A implantação do programa deverá começar pela identificação da dor nas crianças hospitalizadas, para depois estabelecer metas e ações em prol do alívio.

O projeto foi selecionado pela agência internacional de fomento Global Health Research Initiative, do Canadian Institutes of Health Research, na qual obteve o segundo lugar entre 26 participantes. O professor Gordon Allen Finley foi presidente da Seção Pain in Childhood da IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor) e ganhou em 2008 o prêmio de Advogado da Dor no mundo.

Complexidade

O atendimento pediátrico representa um terço do movimento do HCFMRP, com cerca de 600 mil procedimentos em 38 especialidades médicas de alta complexidade. Este contigente de aproximadamente 150 mil consultas e 9,5 mil internações motivou a instalação de uma área exclusiva para os setores de pediatria, em fase de construção. Hélio Rubens Machado, coordenador do HC Criança, considera muito apropriada a implantação do programa pelo fato dos setores de atendimento pediátrico serem de alta complexidade "e, portanto, mais sujeitos à ocorrência de procedimentos dolorosos".

O pediatra Francisco Eulógio Martinez, que participou da elaboração do projeto, lembra que os setores de Pediatria e Psicologia do HCFMRP estudavam há mais de um ano a possibilidade de implantação de medidas ou protocolos clínicos de avaliação da dor. "Para cada área da Pediatria o enfoque de minimizar a dor é diferente, então estes protocolos têm que ser mais específicos para as áreas", aponta. "Na neurologia pediátrica, por exemplo, a criança pode ter impossibilidade de comunicação, o que muda a maneira de medir a dor".

O coordenador do Ambulatório de Cefaléia e Dor Craniofacial do HCFMRP,  José Geraldo Speciali, também co-autor do projeto, elogia a implantação de uma rotina de prevenção e alívio da dor para que a influência do tratamento seja menos traumática. "Os traumas ocorridos na infância ficam marcados no inconsciente e criam situações futuras que se manifestam na fase adulta, com uma maior sensibilidade à dor", observa.

(Envolverde/Agência USP de Notícias)