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Hábitos saudáveis evitariam 63 mil mortes por câncer por ano, aponta estudo

Publicado em 11 abril 2019

Por Paula Felix

Ao menos 63 mil mortes por câncer que ocorrem no Brasil por ano poderiam ser evitadas com a adoção de hábitos saudáveis, como não fumar e praticar atividades físicas. Também seria possível evitar 114 mil novos casos da doença, o que corresponde a 27% dos registros anuais. Foi o que constatou um estudo do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e da Universidade de Harvard publicado no periódico científico Cancer Epidemiology deste mês.

"Existe um consenso que tabagismo, álcool, sedentarismo, obesidade e má alimentação estão relacionados com 20 tipos de câncer. Sabendo desses fatores de risco, usamos bancos de dados do IBGE para ver como é a distribuição deles na população", explica Leandro Rezende, pesquisador da FMUSP e um dos autores do estudo, realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Da Pesquisa Nacional de Saúde, de 2013, foram coletadas informações sobre a prevalência de tabagismo, o Índice de Massa Corporal (IMC), uso de bebidas alcoólicas, consumo de frutas e hortaliças. A partir da Pesquisa Nacional de Orçamentos Familiares de 2008 e 2009, foi possível mapear o consumo de fibras, carne vermelha, carne processada e cálcio pela população.

"Com esse conjunto de dados e cálculos estatístico, chegamos a quantos casos e mortes conseguiríamos evitar. A gente não conseguiria evitar um número tão grande com algum exame de detecção precoce. É possível reduzir os casos de câncer de colo de útero com a vacina do HPV e dá para reduzir os cânceres de próstata e de mama com exames, mas o estilo de vida saudável pode reduzir vários tipos de câncer."

O estudo apontou ainda que a incidência de câncer de pulmão, laringe, orofaringe, esôfago, colón e de reto poderia cair pela metade com a eliminação dos fatores de risco avaliados pelos pesquisadores.

"Esperamos que esse resultado seja utilizado não para promover medo nem criminalização individual para fatores de risco, mas como um convite para os gestores de políticas públicas para a regulamentação do marketing de alimentos processados."

Rezende diz que o Brasil pode ser considerado um case de sucesso no controle do tabaco e que a experiência pode ser adotada em outras campanhas.