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Diário do Litoral (Santos, SP) online

Guia da USP revoluciona nutrição unindo alimentação e ambientalismo

Publicado em 24 março 2015

Por Nilson Regalado

O Guia Alimentar Para a População Brasileira, lançado pela Faculdade de Saúde Pública da USP e pelo Ministério da Saúde, está virando referência mundial. A obra derruba o mito da pirâmide baseada em grupos alimentares, em porções diárias de cada nutriente, e dá mais importância aos conceitos culturais, sociais e ambientais da alimentação. Em outras palavras: é bom comer comida fresca, in natura, e num ambiente adequado para as refeições, sem TV. E, de preferência, em boa companhia. Lógico, é fundamental evitar os alimentos industrializados. O resto é conseqüência: menos doenças e menor impacto no meio ambiente.

“O entendimento de que alimentos processados podem prejudicar a saúde é antigo, mas impreciso, pois não especifica a natureza dos problemas”, resumiu o professor Carlos Augusto Monteiro, coordenador do Guia, em entrevista à Agência Fapesp.

Assim, os alimentos foram reunidos em apenas quatro grupos. No primeiro, que deve ser a base da nutrição, estão os alimentos in natura, como frutas e hortaliças, e outros submetidos a alterações mínimas, como grãos secos, polidos e empacotados, ou moídos na forma de farinhas, além da carne congelada e do leite pasteurizado.

O segundo grupo é composto por substâncias extraídas da natureza, como óleos, gorduras, açúcar e sal, que propiciam diversidade e sabor desde que utilizadas em pequena quantidade. No terceiro, estão os produtos fabricados com a adição de sal ou açúcar a um alimento in natura, como legumes em conserva, frutas em calda, queijos e pães. O consumo desse grupo deve ser limitado a pequenas quantidades.

A quarta categoria, que deve ser evitada, é a dos alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, biscoitos e salgadinhos de pacote, formulações criadas pela indústria com pouco alimento verdadeiro e muito óleo, sal, açúcar e aditivos químicos.

“Adoçantes artificiais e aditivos podem alterar a microflora intestinal e destruir o muco intestinal, aumentando do risco obesidade, diabetes e doenças crônicas. As consequências para a saúde podem ser muito graves”, explica Monteiro.

O processamento de alimentos também é ruim para o ambiente porque gera grande quantidade de resíduos sólidos e requer maior consumo de água e energia, além de trazer risco à diversidade vegetal.

Em 1980, menos de 20% das calorias consumidas no Brasil vinham de alimentos industrializados. Em 2003, eram 23%. Em 2009, essa proporção alcançou 28%.

“O melhor talvez seja reforçar o apoio aos pequenos agricultores, dar assistência técnica (a eles). É importantíssimo proteger a agricultura familiar, pois é ela que produz a nossa comida”, conclui o professor da Faculdade de Saúde Pública.

Merenda escolar...

Desde o início do ano, 674 escolas de São Paulo passaram a fornecer bananas in natura na merenda escolar, a exemplo do que acontecia na rede municipal de Santos nas décadas de 1970 e 1980. A decisão da Prefeitura paulistana beneficia 86 agricultores familiares ligados a cooperativas do Vale do Ribeira.

..como se fazia em Santos

Essa é a primeira compra de produto in natura da agricultura familiar do Ribeira, que sonhava com a inclusão de peixes criados em cativeiro na merenda santista.

Filosofia do campo:

“O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter”, Cláudio Abramo (1923/1987) jornalista paulista.