Notícia

Diário de Pernambuco

Guerra versus marketing

Publicado em 12 abril 2003

Por Avaniel Marinho - ESCRITOR E POETA
Segundo Will e Ariel Durant, nos últimos 3.438 anos de História conhecida, somente 268 não viram guerra (dados de 1986 da Editora Madia- best seller de Al Ries e Jack Trout). A história é pródiga em mostrar relatos de campanhas e batalhas militares entre diversos povos e regiões da Terra. Desde a batalha de Maratona (490 a.C.) quando os atenienses, numericamente inferiores, venceram os persas; passando por Arbela (331 a.C.) com as conquistas de Alexandre, o grande; sem esquecer os relatos bíblicos das guerras vencidas pelos reis Saul e Davi (dentre outros); indo até Austerlitz (já em 1805 d.C.) - talvez o maior sucesso militar de Napoleão; e saltando para os tempos das primeira e segunda guerras mundiais, ocorridas em 1914-1918 e 1939-1945, respectivamente, períodos em que o emprego da tecnologia foi fator decisivo para o sucesso militar (metralhadora, tanque-de-guerra, avião e, no ápice do extremismo, a bomba atômica) até chegarmos às guerras modernas do Golfo Pérsico e às recentes peripécias dos americanos e aliados, no Afeganistão e novamente no Golfo Pérsico, onde se notabilizam os recursos tecnológicos de última geração, que oferecem "precisão cirúrgica" na direção dos alvos, percebemos que os tempos mudam; que a forma dos embates se torna cada vez mais sofisticada' e destruidora, mas os motivos da guerra permanecem os mesmos: poder, economia e religião! Para ampliar o poder e melhorar suas economias, os chefes de Estado levam seus países a guerras sangrentas, e o que é pior, muitas vezes o fazem em nome de Deus! Foi assim no genocídio judeu, na Segunda Guerra Mundial, quando Hitler entendeu que os alemães eram a raça pura e que deveria dominar e imperar sobre todos! Também foi por esses motivos que os americanos destruíram Hiroshima e Nagasaqui, fazendo uso da bomba atômica, num descalabro histórico de carnificina sem precedentes. Foi em nome dessas coisas que Bin Laden e seus discípulos suicidas derrubaram as torres gêmeas, em Nova York, naquele fatídico 11 de Setembro de 2002. É em nome desses mesmos propósitos que hoje se trava a guerra entre Estados Unidos e aliados, contra o Iraque, o que se dá numa região rica e pobre ao mesmo tempo, num conflito que ninguém se arvora a prever suas conseqüências, com precisão! Aí, não se sabe se há guerra de marketing ou marketing para a guerra! Acho que sempre houve e sempre haverá as duas coisas! De qualquer forma, é bom atentar para a iminência de uma terceira Guerra mundial, porque países como Rússia, China e Alemanha não estão muito satisfeitos com o mais recente episódio petrolífero e religioso! Enquanto isso, os muriquis, os maiores macacos das Américas (típicos da Mata Atlântica), conseguiram criar uma hierarquia regida pelo afeto. No centro do grupo não estão os mais fortes, mas os mais queridos, aqueles que se destacam porque são os que mais ganham abraços dos companheiros (Revista Pesquisa FAPESP - Número 85 - Março de 2003). Até parece que estes têm um Marketing mais avançado!