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Jornal da Ciência online

Guerra ao Photoshop

Publicado em 09 novembro 2021

Por Fabrício Marques | revista Pesquisa FAPESP

Editoras científicas criam manual para identificar artigos com imagens adulteradas ou duplicadas e combater esse tipo de má conduta

Um grupo de empresas de comunicação científica divulgou em setembro um manual de boas práticas para ajudar seus editores a lidar com um tipo de má conduta às vezes difícil de detectar: a alteração ou a duplicação de imagens em artigos e trabalhos acadêmicos. O documento, disponível no repositório OSF, está recebendo sugestões de aperfeiçoamento e deve ganhar uma versão definitiva em dezembro.

O guia fornece orientações precisas para três diferentes níveis de manipulação. O nível 1 se refere a fotos que foram duplicadas ou levemente modificadas, mas sem que as mudanças influenciem as conclusões do trabalho. Isso inclui, por exemplo, ajustes no contraste ou nas cores para realçar algum achado ou a divulgação de uma imagem duas vezes no mesmo manuscrito para ilustrar experimentos diferentes. Se o problema for descoberto antes da publicação do artigo e os autores provarem que não agiram de má-fé, recomenda-se que o editor da revista aceite uma versão corrigida das imagens e dê o caso por encerrado. Todos os coautores do trabalho, contudo, devem ser informados sobre a retificação e precisam concordar com ela. Caso a alteração seja identificada após a publicação e não for mal-intencionada, o artigo deve receber uma correção.

O nível 2 contempla modificações significativas, em desacordo com padrões normalmente aceitáveis, que alterem características críticas de uma foto. Um exemplo é a inversão ou reposicionamento de “bandas” em resultados de testes de western blot, método usado na biologia molecular para identificar proteínas. Nesse caso, a instituição de origem dos autores deve ser notificada para investigar uma possível má conduta e toda troca de mensagens e de informações entre autores e editor deverá ficar registrada no arquivo da revisão por pares. Se os responsáveis conseguirem mostrar que se tratou de erro, e não de fraude, os editores podem aceitar uma versão corrigida da imagem. Caso o trabalho já esteja publicado, a solução pode ser retratá-lo e republicá-lo, ou simplesmente retratá-lo, se a manipulação for injustificada.

Veja o texto na íntegra: Revista Pesquisa Fapesp

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