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Guarulhos faz projeto inédito para combater aquecimento global

Publicado em 29 setembro 2008

O Município de Guarulhos, na Grande São Paulo, avançou no combate ao aquecimento global. Na última sexta-feira, a Secretaria de Meio Ambiente lançou o primeiro programa de redução de ilhas de calor nas áreas urbanas. O projeto, inédito internacionalmente, surgiu de uma pesquisa sobre os mapas termais do município identificados via satélite.

A tese foi desenvolvida na Universidade de Guarulhos (UnG), com patrocínio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e com o apoio da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde (RBCV - Unesco).

A iniciativa vai equilibrar as condições climáticas da cidade, já que a Secretaria implantará, com base científica, medidas emergenciais de arborização nos locais de maior incidência de calor. Com esse intuito criou-se uma minuta de decreto com diretrizes que devem se tornar políticas públicas nos próximos dias.

A elevação da temperatura, segundo a pesquisa, se deve, entre outras coisas, ao avanço da urbanização, ao assoreamento do solo e ao aumento do número de indústrias.

Além de uma ação conjunta com vários setores do governo, o decreto prevê que os grandes empreendimentos a serem instalados na cidade se responsabilizem pela compensação ambiental que pode ser feita de duas formas: por meio da a implantação de um "telhado verde", ou da criação de um "minibosque" no local da degradação. Esse programa foi chamado de "ilhas verdes".

Ilhas verdes

Os "telhados verdes" são um novo conceito de paisagismo utilizado nas coberturas dos prédios. A prática é comum em cidades da Alemanha e em Nova York. Segundo a pesquisa, a compensação térmica de uma árvore equivale à refrigeração de cinco aparelhos de ar-condicionado funcionando ininterruptamente por 24 horas. É por isso que os chamados empreendimentos ecológicos vêem na ação uma forma de economizar a longo prazo. A idéia explica algumas variações termais como as da Cidade Satélite de Cumbica, que chegam a ter 10 graus de diferença em relação à Base Aérea de São Paulo (Basp), a apenas alguns quilômetros de distância.

Os "minibosques", por sua vez, são pequenos espaços que serão arborizados para, entre outras finalidades, aumentar a umidade do ar, equilibrar a temperatura, e dar maior permeabilidade ao solo com a conseqüente absorção das chuvas.

Além das ações com as empresas que estão chegando à cidade, a Secretaria já está negociando a criação de incentivos fiscais para as empresas anteriormente instaladas nas zonas industriais que desejam aderir ao programa.