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G1

Grupo estuda usar etanol com água oxigenada para lançar foguetes no Brasil

Publicado em 07 abril 2010

Por Alex Sander Alcântara

Um grupo de pesquisadores brasileiros está tentando criar um combustível verde e seguro para usar em foguetes nacionais. Os primeiros testes, realizados com sucesso, utilizaram peróxido de hidrogênio - popularmente conhecido como água oxigenada - e etanol em um pequeno motor.

Grupo está testando propulsores de foguetes utilizando combustíveis líquidos. 

Há 15 anos o Brasil tenta descobrir como colocar no ar foguetes movidos a combustíveis líquidos, em especial o álcool nacional. A ideia é substituir a hidrazina, combustível sólido corrosivo e tóxico usado atualmente.

"Os propelentes líquidos usados atualmente no Brasil estão restritos à aplicação no controle de altitude de satélites e à injeção orbital. Eles têm como base a hidrazina e o tetróxido de nitrogênio, ambos importados, caros e tóxicos", afirma o engenheiro José Miraglia, professor da Faculdade de Tecnologia da Informação (FIAP) e líder do grupo particular que pesquisa combustíveis para foguetes.

Na primeira fase do projeto, o grupo testou motores e foguetes de propulsão líquida com impulso de 10 newtons (N) - força equivalente ao peso de um objeto de um quilo -, com o objetivo de avaliar propelentes líquidos pré-misturados à base de peróxido de hidrogênio combinado com etanol ou querosene. Os estudos foram feitos em parceria com uma empresa brasileira que fabrica artefatos de metal.

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"Os testes mostraram que o projeto é viável tecnicamente. Os propulsores movidos com uma mistura de peróxido de hidrogênio e etanol, ambos produzidos em larga escala no Brasil e a baixo custo, apresentaram o melhor rendimento", disse.

Na segunda fase do projeto, o grupo pretende construir dois motores para foguetes de maior porte, com 100 N e 1000 N. "Nossa intenção é construir um foguete suborbital de sondagem que atinja os 100 quilômetros de altitude e sirva para demonstrar a tecnologia", disse.

A empresa também está em negociações para uma eventual parceria com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) no projeto Sara (Satélite de Reentrada Atmosférica), cujo objetivo é enviar ao espaço um satélite para o desenvolvimento de pesquisas em diversas áreas e especialidades, como biologia, biotecnologia, medicina, materiais, combustão e fármacos.

"Nosso motor seria utilizado na operação de reentrada para desacelerar a cápsula quando ela ingressar na atmosfera. Atualmente, não existe no Brasil foguete de sondagem a propelente líquido. Todos utilizam propelentes sólidos", disse.

Foguetes para pesquisas

O grupo também pretende produzir motores para foguetes de sondagem que tenham baixo custo. "Eles seriam importantes para as universidades, com aplicações em estudos em microgravidade e pesquisas atmosféricas, por exemplo", disse Miraglia.

Em trabalhos de biotecnologia em microgravidade, por exemplo, pesquisas com enzimas são fundamentais para elucidar processos ligados a reações, fenômenos de transporte de massa e calor e estabilidade das enzimas. Tais processos são muito utilizados nas indústrias de alimentos, farmacêutica e química fina, entre outras.

"Queremos atingir alguns nichos, ou seja, desenvolver um foguete movido a propelente líquido que se possa ajustar à altitude e ser reutilizável. Esse é outro ponto importante, porque normalmente um foguete, depois de lançado, é descartado", disse.

*Com informações da Agência Fapesp