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Canal Rural

Grupo estuda os efeitos de aerossóis sobre as chuvas na região Sudeste

Publicado em 12 dezembro 2009

Como o aumento na emissão de partículas atmosféricas (aerossóis) pode afetar o padrão anual de chuva na região Sudeste, em particular no Estado de São Paulo? Qual é a importância e a influência dos aerossóis na emissão de chuvas?

Essas e outras questões motivaram um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, a estudar a emissão de materiais particulados para a atmosfera e o impacto sobre o clima na região Sudeste.

Ao propor o Projeto Temático Efeitos das emissões nas mudanças do padrão atual e futuro de chuvas na região Sudeste do Brasil, inserido no Programa Fapesp de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), o grupo coordenado pelo professor Arnaldo Alves Cardoso, do Instituto de Química da Unesp de Araraquara, busca melhorar o entendimento e a influência dos aerossóis atmosféricos, relacionando dados e estudando as propriedades físicas e químicas dessas partículas.

O projeto está baseado no Instituto de Química da Unesp. Também participam pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), além de parceiros internacionais.

Cardoso destaca que as mudanças de atividade econômica produtiva podem afetar a qualidade, quantidade e tipo de partículas na atmosfera.

"Podem modificar o processo de formação de nuvens e, com isso, afetar o regime de chuvas de uma região. Podem também afetar a quantidade das descargas elétricas na atmosfera. O efeito na formação de raios também é objeto do nosso projeto", disse.

Aerossóis são pequenas partículas sólidas ou líquidas dispersas na atmosfera.

"A fumaça é formada por partículas visíveis, mas muitas partículas são tão pequenas que não são visíveis ao olho humano", disse.

"Muitas partículas são formadas no interior da atmosfera como produto de reação química ou de condensação. Por exemplo, o vapor de água evaporado de um lago pode se condensar na forma de pequenas gotas de água, formando um tipo de aerossol atmosférico", explicou.

As partículas atmosféricas podem ser classificadas em primárias (emitidas diretamente como partículas maiores) e secundárias (menores, formadas na atmosfera). Atividades antrópicas, como queima da cana-de-açúcar e construção civil, por exemplo, aumentam a emissão dessas partículas.

"As partículas que servem de núcleo para a formação de uma nuvem devem ter tamanho e concentração ideais e propriedade de absorver água. Muitas partículas podem, cada uma, absorver só um pouco de água da atmosfera e não crescer o suficiente para formar gotas de chuva", disse Cardoso.