Notícia

Jornal Cidade (Rio Claro, SP)

Grupo desenvolve pesquisa inédita

Publicado em 28 janeiro 2018

Neste mês, o grupo de Física do Estado Sólido da Unesp Rio Claro comemora a publicação de um trabalho na revista internacional Physical Review B. A contribuição, para a Física como um todo, consiste na primeira observação experimental daquilo que os físicos chamam contribuição iônica para uma fase exótica da matéria chamada isolante de Mott.

Essa fase tem relação direta com a supercondutividade (condução elétrica sem perdas), o que desperta muito interesse da comunidade científica. A pesquisa foi coordenada pelo Prof. Dr. Mariano de Souza, sendo os resultados obtidos partes das dissertações de mestrado de seus orientados Cesar Sônego, Lucas Squillante e Paulo Menegasso, com base em materiais investigados fornecidos por Dr. Jean-Paul Pouget e Drª Pascale Foury, ambos da Université Paris Sud, Orsay, França.

O professor Mariano explica que o trabalho é parte de uma das frentes de pesquisa do grupo e tem relação com a supercondutividade. “O interesse em se estudar tal fenômeno está no fato de que, se descobrirmos um material que seja supercondutor próximo à temperatura ambiente, revolucionaremos o transporte de energia drasticamente. Em suma, com uma descoberta desta natureza, nossa ‘conta de luz’ ficará muito mais baixa”, esclareceu o pesquisador. Mariano explica que a pesquisa no campo dos condutores moleculares na Unesp RC (e no Brasil) teve início em 2011, quando ele retornou ao Brasil após um período de, aproximadamente, dez anos trabalhando na Europa.

“Foi em 2012 que iniciamos a instalação do Laboratório de Física do Estado Sólido com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP (Fapesp), da ordem de 400 mil dólares. Trata-se do ponto ‘mais frio’ e ‘mais magnético’ de toda a Unesp e um dos pontos ‘mais frios’ do Estado de SP”, disse o professor, explicando que o laboratório possui um criostato que atinge temperaturas da ordem de 1,4 K até 300 K (de 271,75 graus negativos a 26,85 positivos na escala Celsius) sob aplicação de campo magnético externo de até 12 T (Tesla é a unidade de medida de intensidade de campo magnético) da ordem de 10 mil vezes o campo magnético na superfície da Terra.

Pesquisa

“Em cooperação com grupos de pesquisa no Brasil e no exterior estamos trabalhando intensamente para entender o fenômeno da supercondutividade e descobrir materiais alternativos (atualmente o cobre é utilizado) que possam ser utilizados no transporte de energia elétrica de forma mais barata e segura.”