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Grupo desenvolve cápsula que controla liberação simultânea de remédios diferentes no corpo

Publicado em 04 novembro 2019

Pesquisadores da Universidade de Franca (Unifran) e da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) desenvolveram uma cápsula capaz de liberar, de maneira controlada, dois medicamentos diferentes no corpo humano ao mesmo tempo.

O sistema, ainda em fase de testes, utiliza materiais orgânicos e inorgânicos para combinar o uso de um anticancerígeno com um anti-inflamatório.

O método tem o potencial de reduzir efeitos colaterais de quem está em tratamento, explica o professor Eduardo Ferreira Molina, um dos orientadores do estudo, publicado na revista Applied Bio Materials, da Sociedade Americana de Química.

“A grande vantagem é que você diminuiria o efeito colateral dos tratamentos agressivos de câncer. O efeito colateral iria diminuir ou retirar dessa etapa. A pessoa não precisaria ficar passando por três, quatro tipos de tratamento”, diz.

Liberação controlada de remédios

A combinação de materiais orgânicos e inorgânicos na produção de cápsulas não é uma novidade e tem aplicação inclusive fora da indústria farmacêutica, segundo o pesquisador.

Mas pela primeira vez foi possível fazer com que componentes químicos com características e interações completamente distintas com a água do corpo foram inseridas na mesma formulação sem que perdessem suas propriedades de ação no organismo.

Com envolvimento de seis pesquisadores, o trabalho foi desenvolvido desde 2015 por meio de um projeto de mestrado em ciências com bolsa da Fapesp e auxílio de diferentes colaboradores da Unifran e da UEMG.

Para chegar às drágeas, o grupo dissolveu um anti-inflamatório – naproxeno – e um anticancerígeno – o 5-fluorouracil – em um polímero, o siloxano-poliéter, e posteriormente submeteu essa mistura a um processo químico que transforma o líquido em um material gelatinoso e transparente, similar ao de uma cápsula convencional.

A diferença é que essas apenas funcionam como proteções para a liberação de apenas uma substância por vez, e sem esse controle, dentro do organismo.

Os primeiros testes em laboratório evidenciaram que, quando em contato com um líquido de temperatura e acidez similares ao do intestino humano, a cápsula não só absorveu grandes volumes de água sem se dissolver como ativou os medicamentos em quantidades iguais e de forma prolongada, um efeito considerado inédito.

A expectativa é de que o mesmo sistema, um dia, seja utilizado para outros tipos de medicamentos.

“Ela se adequa em função da substância que quero colocar. Eu consigo avaliar se eu tenho uma droga mais hidrofílica, que tem afinidade por água, ou mais hidrofóbica, aí a gente consegue fazer esse balanço de liberação”, explica Molina.

A nova cápsula ainda precisa ser testada em ratos e seres humanos antes de chegar ao mercado, o que pode levar anos e depende de investimentos em pesquisa.

Além da drágea, os pesquisadores imaginam a utilização do mesmo material para o desenvolvimento de adesivos aplicáveis, por exemplo, a doenças de pele.

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