Notícia

A Cidade (Ribeirão Preto)

Grupo "descobre" mais mil espécies de insetos

Publicado em 09 outubro 2011

Por Andressa Fernandes

Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto conseguiram catalogar cerca de mil novas espécies de insetos, apenas entre moscas e mosquitos, na biodiversidade brasileira na Mata Atlântica.

O estudo foi desenvolvido pelo programa Biota, da Fundação Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A pesquisa também conta com estudiosos de outras universidades e ainda está em andamento e a expectativa dos especialistas é localizar cada vez mais espécies.

Os pesquisadores estimam que, para cada espécie conhecida há outra não descoberta. "Muitas delas, nunca haviam sido descritas antes" revela o coordenador do projeto, Dalton de Souza Amorim, professor do Departamento de Biologia, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto.

As coletas foram feitas em regiões de Mata Atlântica, compreendendo partes do estado de Santa Catarina até a Paraíba, sul de Goiás, oeste de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

No interior de São Paulo, foram coletadas novas espécies nas regiões de Ribeirão Preto, Sertãozinho, Batatais, Matão, Assis e Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema.

A primeira etapa do estudo levou sete anos para ser concluída. Um dos dados revelados pelo estudo é que há espécies que são exclusivas das matas no Interior. Isso revela a regionalização da biodiversidade entre regiões brasileiras. Como o clima nó interior é mais seco, nem todas as espécies que existem aqui se adaptariam ao clima da Serra do Mar, por exemplo. Por isso a conservação da mata nesta região é fundamental.

Interior ameaçado

Outra revelação que resulta da pesquisa é que a ameaça de extinção da fauna das florestas do interior é maior do que no litoral.

O motivo é que há um número grande de unidades de conservação na Serra do Mar, o que não acontece com as áreas no interior.

Com as monoculturas de cana-de-açúcar, soja e laranja no interior do país, as poucas áreas restantes de floresta estão sob risco. ("A atividade agrícola é necessária, mas precisa de limites para que espécies não desapareçam. E a área de Ribeirão Preto é a mais desprotegida. Temos algumas unidades, mas pequenas e mal cuidadas em termos de garantir a preservação" diz o pesquisador, citando, a Mata de Santa Tereza em Ribeirão e a Reserva Biológica Augusto Ruschi, em Sertãozinho.

Dalton afirma que a fauna das reservadas da Serra do Mar tem uma rede de proteção mais ampla, amparada por leis ambientais e investimentos governamentais de institutos de pesquisa e de ONGs. O mesmo não acontece com as áreas da região, onde os investimentos são escassos.