Notícia

A Folha (São Carlos, SP)

Grupo de materiais composto da USP poderá firmar parceria com a Embraer

Publicado em 01 abril 2007

Apesar de estar em segundo lugar no Estado quando o assunto é aviação, perdendo apenas para São José dos Campos, a região de São Carlos investe bastante em pesquisas e parcerias nessa área.

De acordo com o professor José Ricardo Tarpani, do Grupo de Materiais Compostos Estruturais da Escola, de Engenharia de São Carlos, por necessidade e afinidade se especializou na área de materiais de aplicação aeronáutica, e acredita que nesse seja realmente um setor em expansão, mas que requer muito estudo e cautela. "Por se basear efetivamente em segurança, do processo inicial de concepção, passando pela produção e certificação de um componente estrutural confeccionado com um novo tipo de material, até a sua aplicação final em aeronaves, podem se passar cerca de 15 a 20 anos. Daí à importância da pesquisa, e desenvolvimento, para que o novo produto substitua, com louvor, aquele já existente no mercado", acrescentou.

O seu laboratório, que está sendo montado no momento com recursos oriundos da FAPESP, se chamará Laboratório de Processamento de Laminados Compostos Termoplásticos e tem como áreas potenciais de aplicação as indústrias aeronáutica, automobilística e naval. Os materiais chamados de "compostos", são produzidos a partir da união de duas ou mais classes de materiais: metálicos, cerâmicos e polímeros, e o objetivo é sempre obter um material que supere o desempenho daqueles elementos individuais que lhe deram origem.

Ainda segundo Tarpani, sua área de atuação principal é a de caracterização mecânica e não-destrutiva de materiais compostos. Dentro do Programa de Pós-Graduação Interunidades da USP (Universidade de São Paulo), orienta cinco alunos: um de doutorado e quatro de mestrado. A aluna de doutorado, financiada pelas CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), pesquisa sobre tenacidade à fratura por impacto de materiais de grau aeronáutico. Os resultados obtidos podem ser úteis para o projeto e construção da fuselagem de aeronaves de alto desempenho, quando temperaturas tão altas quanto 180°C podem ser atingidas em vôo.

PROJETOS PARA 2007

Outros dois alunos de mestrado também atuam nessa área de aviação, mas com parcerias com empresas. A TAM, por exemplo, executa ensaios não-destrutivos em juntas rebitadas de materiais de fuselagem que podem chegar a um custo de mercado da ordem de US$ 2 mil o m². Ainda dentro do processo de pesquisa, o Grupo de Materiais Compostos Estruturais da USP mantém um estreito contato com outras empresas que realizam ensaios não-destrutivos, ou seja, inspeções que não causam dano ao material. Fazem parte dessa classe especial de ensaios: radiografia de raios X, tomografia computadorizada, correntes parasitas e ultra-sonografia, para citar apenas alguns. Por exemplo, além da TAM, a empresa Compoende de Tremembé-SP e o Grupo de Ensaios Não-Destrutivos da Universidade Federal de Pernambuco participam desta parceria.

Uma outra pesquisa desenvolvida por aluno de mestrado do PPG também conta com a participação de uma empresa de Rio Claro-SP. Ele estuda o efeito da fadiga, ou seja, a aplicação de esforço mecânico repetitivo, em componentes utilizados em máquinas de lavar roupas, isto significa elaborar no vos procedimentos de ensaios mecânicos, criar dispositivos especiais que permitam simular as condições reais encontradas pelo componente (por exemplo, cesto da lavadora) em serviço, e pr soluções quanto a no vos materiais e projeto do componente de modo a aumentar a sua resistência durante o uso no dia-a-dia das residências.

Um último projeto de mestrado está ligado diretamente à área nuclear, onde se objetiva determinar a resistência à propagação de trincas de materiais utilizados na construção de vasos de pressão de usinas nucleares.

Para 2007, um projeto temático no valor global de US$ 7 milhões que está sendo avaliado no momento pela Fapesp, poderá selar definitivamente uma parceria entre o Grupo de Materiais Compostos, liderado pelo Professor Tarpani, e a Embraer S/A. Por ser um projeto considerado de grande porte, envolvendo cerca de 25 pesquisadores de diversos institutos de pesquisa e universidades do Estado de São Paulo, em que serão estudados assuntos tão diversos quanto fabricação, ensaio e inspeção de componentes estruturais em es cala real, simulação e modelagem de processos de fabricação e do comportamento mecânico dos materiais compostos aeronáuticos, sua aprovação é um pouco demorada - (www.cem.ifsc.usp.br / Eloiza Strachicini)