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Jornal da USP online

Grupo da USP ensina genética de maneira fácil e descontraída nas redes sociais

Publicado em 07 agosto 2020

Por David Ferrari

Quem aprendeu conceitos básicos de genética no ensino básico sabe como é fascinante entender por meio de esquemas visuais como se dá a transmissão de características hereditárias entre os seres vivos, representadas por letras maiúsculas e minúsculas. Mas essa área de estudos da biologia é bem ampla e envolve também doenças relacionadas aos genes, nem sempre fáceis de entender.

Sabendo disso, o Genoma USP, nome virtual do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), do Instituto de Biociências (IB) da USP, tem auxiliado na compreensão do tema através de várias postagens em redes sociais. Com a ajuda de recursos visuais e linguagem acessível e descontraída, as mensagens abordam desde como a genética está inserida no dia a dia da população, em processos como a imunidade que é passada durante a amamentação, até os complexos estudos produzidos pela comunidade científica, principalmente os que são feitos pelo próprio grupo, em casos como as pesquisas sobre o zika vírus.

O grupo especializado em genética faz parte de um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (Fapesp), tendo três áreas de atuação, pesquisa, inovação e difusão – o Genoma USP se enquadra neste último. De acordo com Andréa Grieco, comunicadora de ciência e social media do grupo, “um objetivo específico da difusão é que o conhecimento científico seja difundido para população de forma que alcance muitas pessoas. As redes sociais permitem que a gente atinja esse objetivo. Acreditamos que os conteúdos devam estar em uma linguagem que seja acessível para o público e que eles também tenham alguma atratividade visual”.

Produções multiplataformas

Um destaque do Genoma USP é a assimilação das multiplataformas para a difusão do conhecimento com produções que abordam a genética tanto em vídeo quanto em materiais visuais. O formato audiovisual foi um dos primeiros a serem produzidos, através de entrevistas com pesquisadores do próprio Centro e também com professores do Instituto de Biociências. “A gente produz vídeos de divulgação do conhecimento científico, em especial sobre genética e atividades do centro, seja conhecimentos da área, seja pesquisas e inovações que estão acontecendo a todo momento dentro do CEGH-CEL”, explica Andréa.

Com o auxílio dessas produções, o centro traz também questões aplicadas da genética e da ciência no cotidiano, aproximando o conhecimento ao dia a dia das pessoas. No tema abaixo, por exemplo, é explicada a relação entre a coloração laranja e preta e o sexo dos gatos.

Outra abordagem do Genoma USP é explicar pesquisas científicas de maneira acessível. Uma das publicações foi a respeito de um estudo que mostrou que, após a aplicação do zika vírus, um tumor cerebral em estado avançado foi reduzido em um cão , algo promissor nos estudos contra o câncer. Como o tratamento é fundamentado em conceitos biológicos, a publicação permitiu que a população pudesse compreender.

Um dos principais desafios é “ter uma linguagem acessível para o público e precisão da informação”, de acordo com Eliane Dessen, coordenadora de educação e difusão do CEGH-CEL e professora aposentada do IB-USP. Para isso, o Genoma USP conta com a colaboração de ao menos quatro pessoas. Além da produção dos materiais a serem compartilhados, os colaboradores revisam os materiais e tiram dúvidas dos seguidores nas redes sociais.

Recentemente, as produções visuais do centro começaram a incluir elementos do universo pop. “A gente tem visto que uso de elementos da cultura pop traz muita atenção e é capaz de engajar bastante a audiência. A primeira vez que a gente usou foi em um post do Star Wars”, conta Andréa.

Tanto para Eliane quanto para Andréa, o objetivo de difusão tem sido alcançado e ambas destacam o poder das redes sociais para alcançar diretamente o público. Além disso, a comunicadora Andréa Grieco enfatiza o retorno que o grupo tem. Segundo ela, além dos compartilhamentos e comentários, diversos professores enviam mensagens mostrando que utilizaram os materiais produzidos pelo Genoma USP para poderem ensinar estudantes de diversas faixas-etárias.