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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Grupo da Biologia tem projeto aprovado pela Royal Society

Publicado em 06 abril 2018

O professor Marco Aurélio Ramirez Vinolo, do Instituto de Biologia (IB), acaba de ser contemplado pelo edital Newton Advanced Fellowship, voltado a jovens pesquisadores (com menos de 15 anos de pós-doutorado), para dar sequência à sua linha de pesquisa relacionando componentes da microbiota intestinal com doenças que atingem principalmente o cólon (parte central do intestino). O financiamento cobrirá viagens de pesquisadores que participam do projeto, acomodação, materiais de consumo e atividades de treinamento.

“Este projeto, aprovado pela Royal Society, é financiado pelo Newton Fund, fundo criado pelo governo do Reino Unido para estimular a colaboração entre grupos britânicos e de outros países, incluindo o Brasil e vários outros emergentes”, explica o docente da Unicamp, que viaja em junho para a Inglaterra. “Nosso colaborador britânico virá em agosto para a Unicamp, sendo que o intercâmbio vai envolver também os alunos: já temos uma pesquisadora lá e dois deles chegarão ainda esse ano.”

Segundo Marco Aurélio Vinolo, esta verba vem fortalecer um intercâmbio existente já há alguns anos com um grupo da University of Essex/Cambridge (Inglaterra), mantido graças ao suporte da agência de fomento inglesa BBSRC e da Fapesp. “Nosso grupo no IB já realizou vários trabalhos com modelos in vivo, enquanto o grupo inglês possui expertise na parte de bioinformática. A proposta é que os dois se complementem através de atividades incluindo treinamento em áreas como bioinformática e isolamento de células epiteliais progenitoras obtidas do intestino grosso e delgado”.

O professor do IB afirma que o foco das análises está na identificação de genes que são modificados pela microbiota em células tronco intestinais, e em entender como a interação entre essas células e as bactérias da microbiota intestinal influencia a resposta do organismo em condições de inflamação e infecção. “Pretendemos estender os estudos para outros modelos a fim de identificar melhor as proteínas-alvo e saber como podemos atuar nesse sistema para prevenção e mesmo para o futuro desenvolvimento de fármacos ou terapias voltadas especificamente para esses alvos moleculares.”

Fibras alimentares são metabolizadas pelas bactérias da microbiota intestinal. Durante esse processo, as bactérias produzem e liberam ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) no lúmen intestinal. Estes compostos são importante via de comunicação entre a microbiota e nossas células. O projeto visa identificar e caracterizar os alvos moleculares dessas moléculas em células epiteliais intestinais e do sistema imune presentes ao longo do trato intestinal.

O cólon, acrescenta Vinolo, é uma parte do intestino grosso que mantém contato com imensa quantidade de bactérias, o que exige um sistema de defesa bastante ativo para impedir o desencadeamento de doenças. “Queremos entender como esses componentes benéficos microbianos regulam tanto as células que revestem o tecido (as células epiteliais intestinais) como as células de defesa que estão associadas a ele. Nesse contexto, já conhecemos pelo menos dois mecanismos novos envolvidos nessa comunicação.”

De acordo com o pesquisador, um mecanismo é a modificação de histonas – um conjunto de proteínas nas quais o DNA se enrola. “O que é gerado pela microbiota modifica enzimas que controlam a interação entre histonas e DNA e, desse modo, modificam o que as células produzem de proteína e suas respostas ao ambiente. Outro mecanismo se relaciona com o chamado fator induzível por hipóxia (HIF): em locais com baixa tensão de oxigênio, há a ativação desse fator, o que é importante particularmente no intestino. Temos observado que os produtos das bactérias da microbiota também atuam ativando esse fator, contribuindo assim para impedir que componentes bacterianos passem para a corrente sanguínea em condição de infecção intestinal.”

Marco Aurélio Vinolo afirma que seu grupo vem realizando experimentos com o intuito de aprofundar as pesquisa. “Pretendemos agora analisar como o consumo de alimentos influencia esses processos, o que tem sido feito junto com as pesquisadoras Hosana Gomes Rodrigues, da FCA [Faculdade de Ciências Aplicadas], e Maria Teresa Pedrosa Silva, da FEA [Faculdade de Engenharia de Alimentos], dentre outros grupos.”