Notícia

Jornal do Brasil

Grupo cria 1º parque arqueológico privado

Publicado em 01 março 1996

Por ALEXANDRE MANSUR
Um grupo de amigos resolveu entrar em ação por conta própria, o garantir a preservação da Toca do índio, um sitio arqueológico com pinturas rupestres de mais de 3 mil anos. Em maio, após dez anos de esforço, eles inauguram, no município mineiro de Andrelândia, o primeiro parque arqueológico privado do país. Para criar o Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, os seis amigos fundaram o Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Alto Rio Grande (IMPA). Nos últimos dois anos, eles conseguiram comprar uma área de 12 hectares, onde fica a Toca do índio. "Fizemos uma campanha para arrecadar contribuições dos moradores da cidade e completamos com dinheiro do nosso bolso", conta o engenheiro' elétrico Gilberto de Azevedo, da Eletrobrás. O sítio é um paredão rochoso com cerca de 30 metros de altura. Nele, há 600 figuras feitas com tintura vermelha, amarela e branca. "Elas estão inseridas na chamada tradição São Francisco", explica o arqueólogo francês André Prous, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Inauguração - O parque será inaugurado assim que o NPA conseguir construir uma guarita, algumas trilhas internas e fizer o acabamento de um trecho da estrada que conduz ao sitio. Será cobrado um ingresso simbólico e a prefeitura pagará um funcionário para o parque. "Mas ainda não sabemos com que verba vamos manter a estrutura do lugar', diz Azevedo. A idéia do parque surgiu em 1984. "Queríamos evitar que as pinturas fossem destruídas sem ao menos serem pesquisadas", lembra o engenheiro. "Éramos tidos como malucos. Mas, ao longo dos anos, o NPA foi convencendo à população de Andrelândia da importância de se preservar o sítio". O NPA formou 14 guias locais, que hoje acompanham os visitantes até o local. "A degradação caiu bastante, embora ainda exista gente que risque as pinturas ou mesmo arranque pequenos pedaços como lembrança", lamenta Azevedo. Figuras - Prous explica que a Toca do Índio tem cerca de 60 figuras de lagartos, entre as centenas de formas e traços geométricos. "Não sabemos se são figuras superposta, feitas em épocas diferentes. Aparentemente, elas apresentam certa homogeneidade", conta Prous. "Ainda sabemos muito pouco sobre o local", diz. Uma equipe da UFMG fez um levantamento em busca de ocupações pré-históricas na área do sítio e encontrou peças, como pontas de flexa e instrumentos artesanais. "O trabalho do NPA é louvável. Em todo o país, há sítios se degradando porque as autoridades não conseguem controlá-los", diz Prous.