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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Grupo conclui relatório sobre Famema

Publicado em 17 dezembro 2005

Por Adilson Camargo

Faculdade de Marília passou por uma avaliação rigorosa para saber da viabilidade da instituição ser encampada pela Unesp 

Marília - Um grupo de trabalho formado por funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp) concluiu na semana passada o relatório sobre a encampação da Faculdade de Medicina de Marília (Famema).
O resultado deverá ser divulgado nos próximos. Antes, será preciso que o mesmo grupo conclua também o relatório sobre a encampação da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto. A proposta da Unesp é encampar as duas faculdades ao mesmo tempo.
No entanto, para isso acontecer, será preciso aprovação da Assembléia Legislativa. O diretor-geral da Famema, César Baaklini, acredita que até maio do próximo ano o relatório tenha sido votado na Unesp e encaminhado para a Assembléia para votação dos deputados.
A encampação da Famema está sendo vista como de "fundamental importância" pela diretoria da faculdade. Na opinião de Baaklini, "não há sentido manter uma instituição pública de ensino isolada".
Desde 1994, a Famema é uma autarquia ligada à Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo e não à Secretaria de Educação, como ocorre com as demais faculdades públicas paulistas.
Além disso, a faculdade de Marília tem tradição no ensino da medicina. A instituição foi pioneira na mudança curricular do ensino médico no País e tem experiência na integração com o sistema de saúde.
Atualmente, a Famema administra o Hospital das Clínicas de Marília, o Hemocentro, a Unidade Materno-Infantil e o Hospital Regional de Assis. Neste caso, a parceria é semelhante à que ocorre entre o Hospital Estadual Arnaldo Prado Curvêllo, em Bauru, e a Faculdade de Medicina de Botucatu.
A Famema tem 234 professores, 480 alunos de medicina, 160 alunos de enfermagem e administra um orçamento de R$ 38 milhões, além dos recursos repassados pelo convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS).
Fazem parte do grupo de trabalho encarregado de preparar o relatório sobre as faculdades de Rio Preto e Marília, funcionários da Unesp lotados nos câmpus de Bauru, Assis, Botucatu e também de Marília. São todos membros indicados pelo Conselho da Unesp, que é presidido pelo reitor Marcos Macari.
Eles demoraram cerca de quatro meses para fazer um diagnóstico da Famema. Nesse tempo, foram analisados toda a parte funcional da faculdade, sua estrutura organizacional, o setor de graduação, o número de funcionários e o custo disso para a autarquia.

Menos burocracia
Embora o resultado do relatório ainda não tenha sido divulgado, o diretor-geral César Baaklin mostra-se confiante na aprovação da Famema como parte integrante da Unesp.
Se isso ocorrer, haverá menos burocracia para a Faculdade de Marília conseguir financiamentos e recursos. Além disso, a encampação à Unesp também facilitará o acesso a pesquisas junto a instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O projeto de lei que extingue a Famema e repassa todos os bens, móveis e as áreas acadêmicas e de pesquisa para a Unesp foi encaminhado à Assembléia Legislativa em janeiro pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).