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Grupo brasileiro participa de evento que discute resultados sobre o bóson de Higgs

Publicado em 26 junho 2012

Considerado um dos mais importantes eventos na área da Física de Partículas e Campos, a Conferência Internacional de Física de Altas Energias (ICHEP 2012), realizada este ano em Melbourne, Austrália, entre 4 e 11 de julho, contará com a apresentação de quatro trabalhos científicos produzidos por pesquisadores do Sprace, grupo de pesquisa da Unesp que participa das pesquisas do CERN (sigla em inglês para Organização Européia para a Pesquisa Nuclear), localizado em Genebra, na fronteira franco-suíça.

A ICHEP 2012 vem despertando grande interesse da comunidade científica internacional porque, durante a conferência, serão apresentados os resultados mais recentes sobre a busca do bóson de Higgs.

Integram a equipe do Sprace, sigla inglesa para Centro de Pesquisa e Análise de São Paulo, a professora Sandra Padula, Thiago Tomei e os doutorandos Flávia Dias e Ângelo Santos, além de Sérgio Novaes, coordenador do grupo.

Os trabalhos apresentados pelos brasileiros exploram as consequências da possível existência de dimensões extras no Universo e relatam resultados recentes obtidos em colisões de íons pesados. “A física de íons pesados a altas energias investiga a criação em laboratório de um estado quente e denso da matéria que se supõe tenha existido no início do universo”, diz Sandra.

O Sprace teve participação ativa no experimento DZero do Fermilab, nos Estados Unidos, que operou até setembro de 2011 no Fermilab, e vem desenvolvendo pesquisas junto à Colaboração CMS do CERN, com a qual já publicou mais de 130 trabalhos científicos.

O cluster do Sprace faz parte do Worldwide Computing Grid do LHC (WLCG) e, através de recursos concedidos pela Fapesp, acaba de agregar mais 64 nós de processamento e aumentar sua capacidade de armazenamento para 1 Petabyte. “O apoio da Fapesp, por meio do nosso projeto temático, tem sido decisivo para nossas atividades de análise de dados do LHC”, afirma Novaes.

Fórum privilegiado - Promovido desde 1950 em cidades como Rochester (EUA), Tóquio (Japão), Moscou (Rússia) e Paris (França), a ICHEP (sigla em inglês para International Conference on High Energy Physics) chega a Melbourne em sua 36º edição. Com a participação de vários ganhadores do Prêmio Nobel ao longo de sua história, é um fórum privilegiado para a apresentação dos resultados coletados em alguns dos mais importantes aceleradores de partículas do mundo, como o Fermilab e o CERN.

“Estarmos representados de forma tão expressiva em um evento dessa magnitude é uma demonstração de que a comunidade internacional vem reconhecendo o trabalho que vimos desenvolvendo”, diz Novaes, professor do Instituto de Física Teórica (IFT), coordenador do SPRACE e diretor científico do Núcleo de Computação Científica (NCC), sediado no Câmpus de São Paulo da Unesp.

Os resultados obtidos pelo grupo brasileiro só foram possíveis, segundo Novaes, graças à estrutura computacional do Sprace, abrigada no NCC, que vem sendo utilizada na análise e na simulação de dados produzidos pelo Fermilab e pelo CERN.

A expectativa do grupo agora é estender suas atividades para a área de instrumentação e hardware, contribuindo para o upgrade do detector de silício do CMS, em associação com empresas brasileiras. Com essa finalidade, foi submetido um projeto para a chamada CEPID da Fapesp, o qual deverá dar suporte aos trabalhos do grupo durante a próxima década.

Paulo Velloso