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Gazeta Web (PR)

Grávida que come muito sal pode ter filho com pressão alta

Publicado em 06 janeiro 2011

Uma pesquisa feita na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) aponta os riscos de comer quantidades erradas de sal durante a gestação. Uma dieta com elevado consumo de sal durante a gestação poderá gerar indivíduos que, na idade adulta, terão hipertensão arterial. Por outro lado, se o consumo de sal durante a gravidez for baixo, o problema pode ser o desenvolvimento de resistência à insulina.

Esses são alguns dos resultados obtidos em estudos feitos com ratos pela equipe do professor Joel Claudio Heimann, livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). As informações são da Agência Fapesp.

Heimann diz que os resultados não significam necessariamente o aumento da mortalidade dos ratos na idade adulta. E também que é preciso estudar mais o assunto em humanos.

Mesmo assim, o trabalho vem produzindo dados importantes sobre o papel do sal durante o período gestacional. Por exemplo, a dieta hipossódica, com restrição de sal, levou à formação de animais que, na idade adulta, apresentaram excesso de colesterol (hipercolesterolemia).

Esses mesmos animais também apresentaram maior resistência à insulina, diz o professor.

- Isso significa que eles precisam de mais insulina para manter os níveis normais de açúcar no sangue.

Outro efeito curioso observado é que as fêmeas (mas não os machos) das proles de mães que consumiram dieta com pouco sal durante a gestação e amamentação desenvolveram obesidade na idade adulta.

O professor explica que os motivos que levam à obesidade podem ser a maior ingestão de alimentos com conteúdo calórico elevado, o menor gasto energético causado pelo sedentarismo ou problemas de metabolismo (como o hipotiroidismo). Ou um conjunto desses fatores.

- No nosso estudo, o primeiro fator foi excluído. As fêmeas obesas não ingeriram mais ração do que o grupo controle [prole de mães alimentadas com ração com conteúdo normal de sal durante o período perinatal]. Em conclusão, restou a hipótese do menor gasto energético.