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DCI

Grande amplia opção pelo BNDES

Publicado em 11 março 2005

Os executivos de Finanças das grandes empresas escolhem em número crescente os empréstimos via BNDES como principal alternativa de crédito. Pesquisa realizada pelo DCI com diretores e gerentes financeiros de 34 companhias mostrou que 17 deles optam por esses financiamentos preferencialmente para suas empresas. A linha mais utilizada por essas companhias no banco oficial é a Finame.
Em segundo lugar na preferência desses executivos está o crédito via Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), com 9 indicações.
Os empréstimos via BNDES foram apontados como opção de empréstimos pelos diretores e gerentes Isac Zagury, da Aracruz ; Luiz Carlos Lopes, da Petroflex ; Sérgio Pedreiro, da ALL Logística ; Henrique Bastos, da Sadia ; Ricardo Perpétuo, da Telemig Celular ; Artur Piotto, da CCR Rodovias ; Wilson José Vasco, da Weg ; Geraldo Santa Catarina, da Randon ; Romeu Alberti Sobrinho, da Ripasa ; Luiz Claudio, da Comgás ; Oscar Becker, da Iochpe-Maxion ; José Antônio Fillipo, da CPFL ; Marcelo Barreiro, da Confab ; e Elvito Codebela, da Renar Maçãs .
O principal motivo da preferência pelo BNDES, segundo os diretores, são as taxas atrativas. A TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), que indexa vários desses financiamentos, está em 9,75% ao ano, contra 18,75% da taxa básica Selic e 40,42% em média para capital de giro, segundo o Banco Central.
A principal queixa aos financiamentos pelo BNDES é a demora na liberação.
Saídas para as empresas
Para o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid), Luiz Fernando Resende, a preferência das grandes empresas pelo BNDES é explicada também pela falta de outras opções.
Ele considera que o mercado secundário de títulos corporativos seria uma saída para a captação de recursos de longo prazo. Nesse modelo, os bancos de investimentos captam recursos por meio de fundos para aplicar na expansão da produção.
Modelos semelhantes são utilizados em países desenvolvidos. O consultor da Engenheiros Financeiros & Consultores , Carlos Coradi, lembra o exemplo da antiga fábrica de equipamentos automobilísticos Metal Leve , que construiu uma fábrica nos Estados Unidos com financiamento de 30 anos a juros menores que a taxa americana na época. Bem-sucedida, anos mais tarde a companhia foi vendida para a alemã Mahle.
A Anbid sugere também a colocação no mercado a cada 90 dias de títulos de empresas em poder das tesourarias, para estimular a compra e venda diária.
Resende acredita que deveria haver uma escala pelo rating das companhias, ou seja, quem tiver rating A deveriam manter apenas 50% dos títulos em tesouraria. Empresas com nível de avaliação B, 65% e rating C, 80%.
O professor da FGV Jean Carlos Pereira afirma que as regras para financiamento são muito rígidas. A exigência de garantias reais acima do valor emprestado faz com que mais de 80% do volume dos financiamentos sejam direcionados para grandes empresas.
"O governo deveria assumir um pouco dos riscos desses empréstimos", afirma Pereira.
Para as pequenas e médias empresas, Pereira aconselha a busca financiamento para desenvolvimento de tecnologia em agências de fomento com a Finep e a Fapesp. Os projetos variam desde R$ 1 milhão até R$ 20 milhões.